Em debate na Expo Abav, uma visão global do turismo no Brasil. Saiba como foi a discussão
Personalidades de notória relevância para o turismo brasileiro e internacional protagonizaram ontem (25) concorrida sessão plenária para discutir temas pertinentes a “Uma Visão Global do Turismo no Brasil”. O evento fez parte do Congresso Abav de Turismo, que se encerra hoje às 20h, no Anhembi, em São Paulo. A mesa foi composta por Antonio Azevedo, presidente da Abav Nacional; Márcio Favilla, diretor Executivo da Organização Mundial de Turismo (OMT); Eduardo Sanovicz, presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear); Jayson Westbury, presidente da World Travel Agents Associations Alliance (WTAA); Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (Apavt); e Raimundo Coimbra Junior, secretário nacional de Políticas do Turismo.
Favilla apresentou um painel sobre a evolução e mudanças históricas dos destinos mais destacados no mundo, a partir de 1950. Também discorreu sobre os fatores-chave para o desenvolvimento do Turismo Sustentável, que incluem investimentos em infraestrutura, qualidade de serviço, acessibilidade e segurança, entre outros. Quando mencionou o item relacionado à segurança e o vínculo deste atributo à imagem do país, lembrou o caso da Colômbia, que chegou a um ponto crítico e hoje é exemplo de superação para o mundo todo.
Sanovicz estabeleceu um paralelo entre o cenário do Brasil entre 2002 e 2003, em termos de turismo, e o que se apresenta na atualidade. Naquela época, a imagem do turismo brasileiro estava vinculada ao binômio lazer/natureza, a Varig estava dando os últimos suspiros e o mercado consumidor interno praticamente inexistia. Hoje, verifica-se uma série de mudanças socioculturais, onde os jovens opinam, as mulheres trabalham e os mais velhos vivem cada vez mais. O chamado ‘rei sol’ perdeu sua hegemonia, segundo ele, e outras opções se consolidaram em todo o mundo. Assinalou ainda que “é preciso resgatar a Embratur enquanto modelo de gestão e aprofundar as políticas de captação de eventos”. Finalizou tocando na questão da reciprocidade entre Brasil e Estados Unidos: “Uma prática cada vez mais equivocada”. E lembrou da urgência de se repensar o calendário de férias do país, por suas dimensões e diferenças climáticas.
O presidente da Associação Portuguesa de Agências de Viagem, Pedro Costa Ferreira, enumerou alguns aspectos que influenciam decisivamente no avanço dos negócios de turismo no Brasil. “O que era bom há 10 anos tornou-se obsoleto. É necessário repensar a organização das cidades, a limpeza pública, as questões cruciais de segurança. E, também, as questões estruturais de longo prazo”. Acrescentou que “urge promover melhor o país na Europa como um todo e em Portugal”. O presidente da WTAAA relatou sua visão de políticas consequentes para o incremento da indústria do turismo e relatou que teve dificuldades para conseguir visto para vir ao Brasil, a convite da Abav. Mencionou o fato de que nosso país dispõe de orçamento irrisório para divulgação no exterior: uma verba em torno de 10 milhões de dólares, quando o México dispõe de US$ 500 milhões.
A sessão plenária foi encerrada com a exposição do secretário nacional de Políticas do Turismo, Raimundo Coimbra Junior. Exibindo otimismo na superação da crise econômica do país, assinalou que a Câmara dos Deputados está trabalhando para a facilitação da isenção de visto para a entrada de norte-americanos no Brasil. “Todos sabemos que os americanos gostam de Olimpíadas, viajam com a família toda e nós não podemos continuar criando dificuldades e desestimulando a entrada deles em nosso país, especialmente agora, que está mais barato fazer turismo no Brasil”. Finalizou afirmando que o câmbio, da forma que está, favorece as chances de o Brasil equilibrar sua balança no setor de turismo, com menos gente gastando no exterior e mais estrangeiros trazendo divisas para o nosso país.
