Os novos ângulos da capital alemã
BERLIM – Difícil desfrutar de toda a cultura que Berlim oferece. Mas alguns locais são visita obrigatória, como o moderno e badalado East Side Galery, um paredão com 1,3 quilômetro de pintura alusivas ao Muro. Dos traços infantis ao mais hermético futurismo, encontra-se de tudo por trás dos pincéis e da imaginação de pintores anônimos que imaginaram o Muro com ângulos bem peculiares.
Berlim está em obras permanente e esse é outro aspecto que o turista menos avisado observará, de cara. Para uma melhor compreensão histórica e política, vale a pena lembrar que a capital alemã é, na verdade, uma cidade-estado, com funções políticas federais. Seus 12 bairros (já foram 23) têm prefeito e parlamento próprios. A política, como se vê, é distrital.
Um dos problemas que vem ocorrendo com freqüência, nos últimos dois anos, diz respeito á abertura de terrenos próximos ao antigo Muro para o capital estrangeiro. Berlim quer trazer grandes conglomerados mundiais, como a Sony e a Universal Studios, que já estão por lá. Mas a população resiste. Quer que as áreas próximas ao Muro fiquem resguardadas, longe do capital e da especulação.
Mais um detalhe: Berlim já teve quatro milhões de habitantes nos anos 20. Hoje tem 3,4 milhões. A população teme um inchaço, que roubaria qualidade de vida e poderia tirar uma identidade que resistiu a duras penas ao longo dos últimos 70 anos.
