Triunfo, na serra pernambucana, é o Destino da Semana
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Com um clima que chega a até 9ºC no inverno, o município pernambucano de Triunfo, distante 451 km de Recife, se destaca no Sertão Nordestino. As suas altitudes – e tudo o que isso acarreta –, bem como os costumes sertanejos, chamam a atenção dos ainda poucos turistas, que conhecem atrações que vão da história do cangaço, passando por antigas construções, às cachoeiras e mirantes.
Por tudo isso, Triunfo é o Destino da Semana em nosso blog. Afinal, não basta ter turistas. Tem que ter apelo.
Triunfo virou município há 119 anos. Tudo começou em volta do Lago João Barbosa, que tem o formato da letra inicial da cidade. De lá, aprecia-se algumas das antigas construções de Triunfo, como o Cine Teatro O Guarany, inaugurado em 1922 e construído com rocha e banha de baleia para dar sustentabilidade aos três pavimentos do prédio. Ainda hoje, o edifício exerce grande influência na paisagem urbana, tornando-se o símbolo do local. A sua fachada, assim como a maioria do casario antigo, está bem preservada.
Uma verdadeira aula de arquitetura e história é passar pelas ruas cheias de ladeiras de Triunfo. A cidade é rica em construções dos séculos XVIII e XIX, com seculares e tradicionais conventos, velhas edificações em pedra e pequenos nichos que compõem a Via Sacra.
A Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, por exemplo, foi construída em 1926, em estilo gótico. Ainda mais antiga é a capela de Nossa Senhora do Rosário, datada de 1876. Além dos prédios públicos, a arquitetura antiga também é preservada nas residências, como a Casa Grande das Almas e os Arruados.
Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, continua presente em vários pontos da cidade, seja através do Museu do Cangaço ou pelos Arruados, pontos de Triunfo que foram demarcados por serem freqüentados pelo cangaceiro, como o Arruado da Toinha, o de Dr. Cordeiro e o do Padre Ibiapina.
O Museu do Cangaço, fundado em 1974, tem mais de 600 peças referentes a Lampião e aos cangaceiros da região, como óculos, talheres, armas e moedas da época. Um dos itens mais interessantes é o conjunto de fotos de Lampião e seu bando. Uma delas mostra Virgulino ainda menino. Outra mostra as cabeças decepadas de parte do grupo.
Um fato curioso da história de Lampião em Triunfo: no final da década de 20, o cangaceiro costumava freqüentar a Casa Grande das Almas, do alferes João Timóteo, que fica exatamente na divisa dos estados de Pernambuco e Paraíba. O local tem esse nome por estar um pouco afastado do Centro da cidade e muitos afirmarem que lá havia alma penada.
Triunfo também tem um forte apelo ecológico. É repleta de mirantes, cachoeiras, matas e furnas, algo totalmente diferente do cenário comum do sertão nordestino. A cidade abriga o ponto mais alto de Pernambuco. O Pico do Papagaio fica a 1260 metros de altitude, com vista para seis cidades circunvizinhas, o Vale do Pajeú e a Pedra da Cachorra.
O Vale do Pajeú, que inspirou poemas e canções de autores brasileiros renomados, como Luís Gonzaga, também pode ser visto da Cachoeira das Pingas, a 4 km do centro de Triunfo e com 50 metros de queda d’água. Outros pontos de turismo ecológico da cidade são a Furna dos Holandeses, Gruta D’água de João Neco e o Mirante da Pedra do Letreiro.
Atualmente, a cidade que já foi a maior produtora de café de Pernambuco é famosa pela produção de rapadura e cachaça nos 47 engenhos espalhados pelo município. Esses dois produtos são a base da economia local, já que cada engenho emprega uma média de 30 pessoas.
