14 de janeiro de 2026
Crônicas

Rumo a Selinunte: passando por Marsala e suas salinas

Quando saímos de Erice com a névoa ainda espessa, seguimos a estrada SP31, ao longo da costa e em direção à Laguna dello Stagnone di Marsala. Ali, as salinas estendiam-se em campos alvos, refletindo o céu como um espelho. Os moinhos, com suas pás em movimento lento, similares aos moinhos holandeses, complementavam uma composição pitoresca. Fizemos uma breve parada, onde pudemos observar o trabalho dos salineiros ao longe, envolvidos na extração de sal, atividade ancestral da região. A cidade de Marsala também é conhecida por seu famoso vinho fortificado, o Marsala, produzido com uvas brancas locais como Grillo, Catarratto e Inzolia. Este vinho, que pode ser encontrado em versões secas, semissecas e doces, é envelhecido em barris de carvalho e traz aromas complexos de frutas secas, caramelo e especiarias, representando a essência e a tradição da região.

Salinas em Marsala

Depois de absorver a atmosfera tranquila das salinas, seguimos em frente até Castelvetrano, onde nos esperava o imponente Tempio di Hera, no Parque Arqueológico de Selinunte. Colunas dóricas um tanto desgastadas pelo tempo, erguiam-se em fileiras imponentes. Percorri os degraus de pedra que levavam à entrada do templo, pisando nos mesmos blocos de mármore que milhares de pessoas, ao longo dos séculos, já haviam percorrido. As colunas se elevavam acima de nós, e, em meio ao silêncio quase sagrado do lugar, podíamos imaginar as cerimônias e devoções que aconteceram ali, dedicadas à deusa Hera.

Tempio di Hera

Enquanto exploráva, segui pelo corredor central até o que seria o santuário, onde outrora as oferendas eram feitas. A simetria e a estrutura maciça nos faziam sentir pequenos diante da história. À medida que caminhávamos pelas laterais, o templo parecia ganhar vida sob a luz do sol, que atravessava os espaços entre as colunas e projetava sombras gigantes no chão de pedra.

Saindo do templo, fomos até o restaurante Il Tempio di Aziz, a poucos minutos dali. É um lugar charmoso, com uma varanda ampla que deixava a brisa do mar entrar, perfeito para uma pausa de excelência. Fomos recebidos com massas frescas e frutos do mar preparados à perfeição, regados com vinhos brancos sicilianos, comandados por taça, que traziam a essência da ilha. A possibilidade de comandar uma taça de cada vez possibilitou degustarmos um Grillo, fresco e com notas de frutas cítricas e ervas; um Cataratto, leve e mineral; e um Insolia, de corpo bem delicado e com toques de maçã verde e flores brancas. Esses vinhos, com sua vivacidade e frescor, acompanhavam nossos pratos de forma harmoniosa, realçando os sabores e a experiência.

Após o almoço, seguimos nosso caminho retomando a estrada em direção ao próximo destino, Agrigento, tema do próximo domingo.

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