AGRIGENTO: parada obrigatória para visitar o Valle dei Templi
Saímos de Selinunte após o almoço, seguindo pela SS115 em direção a Agrigento. A estrada cortava a Sicília entre colinas verde oliva, por assim dizer, abarrotadas de oliveiras. Em alguns pontos avistávamos figueiras e vinhedos, com o mar Tirreno brilhando ao longe. Mais adiante, campos de trigo de cor palha balançavam devagar ao vento, com pequenas aldeias pontuando o caminho aqui e acolá. A viagem de pouco menos de duas horas em um Volvo a diesel com os quatro passageiros dormindo logo após os primeiros 30 minutos e a atenção redobrada deste motorista que vos fala, foi marcada por paisagens em tons pastel, onde o verde e o dourado se alternavam num mosaico natural típico do interior siciliano. No som do carro, a célebre gravação de Glenn Gould do The Well–Tempered Clavier, livros 1 e 2. Dá pra imaginar essa experiência? Pois bem…
Ao chegarmos em Agrigento, fomos direto ao centro histórico com suas ruas de paralelepípedos polidos pelo tempo e construções com a tipicidade local. Entre as fachadas de pedra e varandas de ferro forjado com portais de madeira, estava nosso apartamento, em um edifício tradicional, bem preservado, com janelas amplas. Uma espécie de camarote para a movimentação nas ruelas abaixo. Bastava abrir a janela e o aroma de pães e queijos frescos misturava-se aos sons das conversas e da música que saía dos bares, enquanto trattorias e pequenas lojas completavam o cenário animado daquele lugar.

Agrigento, fundada como Akragas em 580 a.C. pelos gregos, floresceu como uma das cidades mais prósperas da Magna Grécia, famosa por seus templos e monumentos em honra aos deuses. A cidade também é berço de Luigi Pirandello, Nobel de Literatura de 1934. Pirandello, um observador atento das complexidades humanas, capturou a essência das contradições da alma siciliana em suas obras, refletindo o espírito inquieto e questionador de sua terra natal. Seu legado permanece vivo em Agrigento, onde uma estátua o homenageia, e sua casa de infância, hoje um museu, guarda manuscritos e objetos que contam mais sobre o homem e o escritor.

Na manhã seguinte, partimos bem cedo para o Valle dei Templi, uma vasta área arqueológica que abriga templos e ruínas impressionantes. O Templo de Juno foi o primeiro a surgir, com colunas de pedra desgastadas pela passagem dos séculos. Seguimos por uma trilha de terra que conduz ao Templo da Concórdia, um dos mais bem preservados templos dóricos do mundo, convertido em igreja cristã no século VI. Oliveiras antigas de troncos retorcidos são ornamentos milenares enraizados no lugar, e esculturas de bronze de Igor Mitoraj adornam o cenário, trazendo uma presença artística contemporânea que complementa a experiência. Ao redor, algumas cabras e seus filhotes pastam tranquilamente, e o vento sopra de leve. À distância, as montanhas e o mar oferecem um pano de fundo de beleza serena e intocada. É realmente impressionante. Só falta mesmo uma taça de Marsala com um queijo de ovelha bem salgado.

Esse sítio arqueológico, Patrimônio Mundial da UNESCO, era um centro de prosperidade com templos dedicados a deuses do Olimpo que simbolizavam a força e a devoção de seu povo. Mais adiante, o Templo de Hércules exibe colunas parcialmente reerguidas, lembrando a destruição que a cidade sofreu em sucessivas invasões, incluindo o cerco cartaginês e, mais tarde, a conquista romana.

Vestígios de antigos altares ainda podem ser vistos entre as pedras, e o solo guarda marcas dos rituais gregos, antes realizados em honra a Hera, Júpiter e outros deuses. As oliveiras milenares, que ainda crescem entre as ruínas, são testemunhas dessa história.

Após a visita, seguimos novamente pela SS115 rumo a Piazza Armerina, já antecipando as novas descobertas que nos aguardavam e que farão parte do próximo capítulo desta jornada pela Sicília .
Será o tema do próximo domingo.
