O Mapa da Côte
Fiquei alguns dias de molho em casa por consequência de uma virose respiratória. Minha mãe falava que estou “adivinhando chuva” com sintomas de resfriado, dor de cabeça e muita tosse. Devido a isso, aproveitei para acelerar algumas leituras pendentes e uma delas é o célebre “A História do Vinho“, de Hugh Johnson. O livro é considerado a obra-prima do autor e um clássico internacional da literatura do vinho. É uma leitura que traça a história da civilização sob a ótica do vinho desde os seus primórdios, passando pelo esplendor do mundo antigo até os dias atuais.
Pois bem, o capítulo 27, “O Mapa da Côte“, chamou atenção pela forma como explora a Côte d’Or, na Borgonha, uma das regiões vinícolas mais importantes do mundo. O autor descreve de forma objetiva e envolvente como o solo calcário, o clima e a tradição vitícola criaram os famosos “climats” da região, que são vinhedos pequenos e com características únicas. Esses terroirs, cuidadosamente cultivados ao longo de séculos, foram reconhecidos como Patrimônio Mundial da UNESCO, e isso não é por acaso.
Hugh Johnson também detalha o papel histórico dos monges cistercienses, que foram os primeiros a mapear e entender a diversidade da Costa de Ouro. Foram séculos de estudo do solo e do clima, ajudando a construir a reputação que a Borgonha tem hoje. Os vinhos de comunas como Gevrey-Chambertin, Vosne-Romanée e Puligny-Montrachet são exemplos dessa relação profunda entre homem e natureza, com sabores e texturas singulares em cada minúsculo pedaço de terra.

O capítulo é direto e informativo, sem deixar de lado a riqueza histórica e cultural da região. Ele mostra como a Côte d’Or é um exemplo de como tradição e ciência podem se unir para criar algo extraordinário. Para quem gosta de vinho ou quer entender mais sobre o assunto, esse trecho é uma aula sobre o que significa o terroir e por que ele é tão valorizado.
