Piazza Armerina: saímos do roteiro turístico para ver mosaicos, colinas e sabores do interior da Sicília
Depois de deixar a costa sul da Sicília, pegamos a estrada pro interior. O caminho de Agrigento até Piazza Armerina é tranquilo, passa por uma sequência de colinas, campos de trigo, oliveiras e umas vilas pequenas. Nada muito turístico, sem grandes placas ou ônibus, só aquela Sicília raiz, do jeito que a gente gosta.
Piazza Armerina é toda espalhada sobre umas elevações, com uma catedral enorme no topo que se vê de longe. As ruas do centro são estreitas, calçadas de pedra, com cara de cidade medieval que continua funcionando no ritmo dela. Dá pra fazer tudo a pé e ir parando nos cafés, nas padarias, nos mercados.

Mas o grande motivo de vir pra cá, e que faz tudo valer a pena, é a Villa Romana del Casale. Fica a uns minutinhos do centro e é um negócio fora de série. São mais de 3 mil metros quadrados de mosaicos romanos super bem preservados, com cenas que vão de caçadas na África a meninas em trajes de banho (no século IV). O lugar é coberto, dá pra caminhar por passarelas e ver tudo de perto. Impressiona pela quantidade de detalhes e pela sensação de estar dentro de uma casa romana gigante. Foi um dos pontos altos de toda Sicília.

No fim da tarde, fomos recebidos por um anfitrião local que preparou um jantar daqueles que não se esquecem. Começou com tomates colhidos no quintal, frescos, maduros, doces, cheios de sabor, e em seguida, uma sequência de queijos locais: caciocavallo, ricota, pecorino, todos feitos na região. Depois vieram as carnes: javali, cavalo (sim, cavalo) e coelho, tudo cozido lentamente, com molhos intensos e ervas do mato. Não é comida de restaurante, é comida caseira de verdade, feita com orgulho e generosidade.

Pra acompanhar, abrimos um Nero d’Avola da região, tinto, com muita fruta escura, especiarias e uma pegada bem rústica. Vinho de 4 euros, feito por um produtor local para o consumidor local, daqueles que não aparecem nos guias. Casou certinho com a comida. A garrafa sumiu sem a gente nem perceber.

Se você está planejando rodar a Sicília, Piazza Armerina merece entrar no roteiro. E não só por causa dos mosaicos (embora eles já sejam motivo suficiente), mas porque:
– É uma chance de ver o interior da ilha de verdade, sem maquiagem;
– Tem comida caseira, daquelas que não se inventam, só se transmitem;
– O centro histórico é pequeno, bonito e tranquilo pra andar sem pressa;
– E tem bons vinhos locais, direto da fonte.

É o tipo de lugar que não grita pra chamar atenção, mas conquista aos poucos.
Ficou na memória.
