17 de abril de 2026
Rotas

Ilha da Madeira no meu radar

Acabei de ler uma matéria da Wine Enthusiast sobre a ilha de Madeira que me fez ter ainda mais vontade de conhecer aquele lugar.

O texto é cinematográfico. Começa descrevendo as estradas absurdamente íngremes da ilha. Isso parece um detalhe, mas na verdade prepara o leitor para compreender que na Madeira tudo é extremo. Inclinação, fragmentação dos vinhedos e dificuldade de mecanização. Parece que nada ali foi pensado para facilitar a vida de quem produz vinho, e talvez justamente por isso seja tão intrigante.

A matéria é de John Sumners, e ela trata a Madeira como uma espécie de cápsula do tempo do vinho. Não no sentido de algo parado ou museológico, mas porque ali sobrevivem práticas e estilos que desapareceram em quase todo o resto do mundo. O vinho da ilha continua sendo moldado por processos que têm séculos de história e que ainda hoje fazem sentido dentro daquele contexto específico.

Outro ponto que a matéria aborda com honestidade é o fato de que a viticultura local diminuiu bastante. O turismo e o mercado imobiliário avançaram sobre áreas que antes eram vinhedos. Isso acontece em muitas regiões do mundo, mas na Madeira a sensação é mais dramática porque o território já é pequeno e extremamente fragmentado, fazendo com que cada parcela de vinha pareça preciosa. E é neste ponto que se quebra uma ideia muito comum. Muita gente ainda pensa no vinho da ilha como algo doce e destinado ao final da refeição. A grande força desses vinhos está na acidez extraordinária, e é justamente essa tensão entre concentração e frescor que permite que eles funcionem tão bem à mesa, inclusive com pratos salgados.

Gosto dos textos de Sumners porque eles não tentam transformar tudo em um tratado técnico. Ele escreve provocando o leitor a olhar para o tema principal com mais curiosidade. Sou suspeito para falar, mas ali nascem alguns dos vinhos mais improváveis e ao mesmo tempo mais duráveis da história.

Ouvi rumores de que a ilha também vai ganhar nos próximos meses um tipo bem diferente de atenção internacional. Está prevista uma exibição de tênis reunindo o chamado “Big 3” do esporte, com Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic em um evento solidário. Vejam só como um lugar tão pequeno e tão ligado à tradição do vinho continua encontrando maneiras singulares de aparecer no radar global.

Se eu já tinha vontade de conhecer a ilha, agora tenho mais um pretexto, com a exibição do Big 3 por lá. Mas confesso que o que realmente me atrai é outra coisa: os vinhedos improváveis, a viticultura hercúlea e a vontade de sentar à mesa pra provar esses vinhos que já admiro há tanto tempo. Tenho a sensação de que essa viagem não vai demorar.

P.S.: A matéria se chama Madeira Is the Jurassic Park of Wine (Minus the Dinosaurs).

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