10 de maio de 2026
Nota

A eleição de 2026 passa pelas … mulheres

O Brasil ainda apresenta baixa presença feminina nos espaços mais altos do poder. Em mais de um século de República, o país teve apenas uma presidente, Dilma Rousseff, e o Supremo Tribunal Federal contou com apenas três mulheres, incluindo Ellen Gracie, a primeira a ocupar o cargo. No Congresso, nunca houve uma mulher na presidência da Câmara ou do Senado, e a próxima eleição presidencial deve repetir o padrão de candidaturas majoritariamente masculinas.

Apesar dessa sub-representação, as mulheres têm peso decisivo nas eleições.

Elas são maioria no eleitorado brasileiro, com cerca de 9 milhões de votantes a mais que os homens. Esse grupo foi fundamental na vitória de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, embora pesquisas recentes indiquem uma leve queda na aprovação do presidente entre o público feminino, ainda acima da média geral.

Empatado com Lula nas simulações de segundo turno, Flávio Bolsonaro está pegando carona na desaprovação ao governo, especialmente na área da segurança. Em linha com sua estratégia de tentar se apresentar como um quadro moderado, ele também começou a fazer gestos voltados para as mulheres. Um deles é se contrapor ao pai, considerado a personificação da misoginia por setores da esquerda. Jair Bolsonaro, como se sabe, disse que não estupraria uma deputada do PT porque ela não merecia e também afirmou que teve uma filha, depois de quatro rebentos homens, porque deu uma fraquejada. Para tentar se dissociar desse passivo, o primogênito do ex-presidente divulgou um vídeo nas redes sociais no qual apresenta a mulher, Fernanda, faz menção às duas filhas e narra sua rotina familiar. “Não é à toa que você é um Bolsonaro moderado. Eu reeduquei ele”, conta Fernanda.

Há pontos em comum no protagonismo atual de Janja e de Michelle.

Ambas são consideradas estratégicas nas respectivas campanhas, mas, até agora, ganharam mais destaque por causa de polêmicas. Entre outros tropeços e gafes, a primeira-dama já causou constrangimentos na China ao criticar o TikTok na frente do presidente Xi Jinping, xingou o empresário Elon Musk e foi uma das principais  entusiastas do desfile de Carnaval em homenagem ao marido, que resultou em uma saraivada de críticas ao mandatário. No caso de Michelle, o problema é familiar. Há  dúvida no campo oposicionista sobre o quanto ela se envolverá na campanha de Flávio Bolsonaro. 

Se ganhar sem o apoio da Michelle, vai bater no peito e falar: ‘eu não preciso de você, o PL não precisa de você, ninguém precisa de você’. Agora, se ganhar com o apoio dela, quem vai bater no peito  e falar: ‘eu não preciso de você, o PL não precisa de você, ninguém precisa de você’. Agora, se ganhar com o apoio dela, quem vai bater no peito é a Michelle”, declara um estrategista da  campanha do Zero Um, apostando as fichas num entendimento. Ele afirma ainda acreditar que as mulheres evangélicas vão aderir a Flávio Bolsonaro com ou sem ajuda da  ex-­primeira-dama, por rejeitarem Lula.

Especialistas avaliam que o eleitorado feminino segue como peça-chave e ainda não está totalmente definido. Há sinais de desejo por mudança, mas sem consenso sobre qual candidato representa essa alternativa, mantendo a disputa aberta e competitiva. 

Fonte: Veja