13 de setembro de 2026
Nota

Álvaro Dias parte para o ataque sem medo de contra-golpe

A campanha eleitoral começou oficialmente no domingo. Mas Álvaro Dias  (PL) não quis esperar pelo horário eleitoral gratuito para mostrar suas armas. Nas primeiras horas desta segunda-feira, a campanha do candidato do PL já foi para cima de Allyson Bezerra (União Brasil) .

Na primeira peça, um ator explora justamente o contraste entre a juventude e a imagem de renovação de Allyson e a Operação Mederi, da Polícia Federal, que o teve como alvo quando era prefeito de Mossoró. A investigação apura suspeitas de irregularidades na saúde, que Allyson nega.

É uma estratégia conhecida: começar a luta pelo ataque.

Álvaro está atrás de Allyson na maioria das  pesquisas e precisa mexer no cenário. O problema é que, no ringue eleitoral, atacar primeiro não significa necessariamente … ganhar a luta.

O golpe pode funcionar se atingir um ponto sensível do adversário. Mas também pode cansar o próprio lutador, especialmente quando a agressividade vira a principal mensagem da campanha.

Foi uma estratégia que funcionou para o prefeito de Natal Paulinho Freire em 2024, quando os ataques ajudaram a desgastar Carlos Eduardo. Mas aquela era outra luta, com outro adversário e outra configuração de tempo de televisão, alianças e estrutura partidária.

Agora, Álvaro enfrenta um candidato mais jovem, que lidera as pesquisas e construiu sua imagem justamente sobre a ideia de renovação.

E há um detalhe importante: o eleitor indeciso ainda é numeroso.

É para ele que essa luta deveria estar sendo travada. O desafio de Álvaro é transformar o ataque em argumento capaz de mudar a percepção do eleitor — e não apenas produzir mais um vídeo agressivo para as redes.

Porque existe uma diferença entre dar o primeiro golpe e controlar a luta.

Se a campanha de Álvaro conseguir manter Allyson na defensiva, terá funcionado.

Mas existe o risco do efeito contrário: o atacante parecer agressivo demais, o adversário ganhar a posição de vítima e o eleitor simplesmente perder o interesse.

E esse talvez seja um ponto especialmente delicado para Álvaro.

Allyson tem demonstrado habilidade em ocupar justamente esse lugar de vítima quando é atacado, transformando o golpe recebido em combustível político — muitas vezes com efeitos de rebote sobre quem desferiu o ataque. É uma característica, aliás,  que seus adversários já deveriam conhecer.

A campanha mal começou. Álvaro já escolheu seu estilo de luta.

Agora o eleitor vai dizer se queria mesmo ver esse combate.