“Aos amigos, tudo; aos adversários, o rigor da lei” — a reação no União Brasil do RN

A nota divulgada pelo União Brasil sobre a impossibilidade de concessão de cartas de anuência a vereadores do partido no Rio Grande do Norte vai além de um simples esclarecimento estatutário. No pano de fundo do texto está um episódio clássico da política: ação e reação, além da lei da sobrevivência.
Nos bastidores, a movimentação que provocou a manifestação pública teria começado após investidas diretas na cúpula nacional da legenda, em Brasília, numa tentativa de contornar decisões do diretório estadual. O gesto foi interpretado como um atropelo político — algo que dificilmente passaria sem resposta.
É nesse ponto que surge o estilo político associado ao ex-senador José Agripino Maia, presidente estadual da sigla. A reação lembra a máxima atribuída a Nicolau Maquiavel: aos aliados, tudo; aos adversários, o rigor da lei.
A nota, assinada também pelo presidente nacional Antônio de Rueda, reforça que a carta de anuência — instrumento que permite a saída de mandatários sem risco de perda de mandato — só pode ser concedida por decisão colegiada da Executiva, com aprovação de três quintos de seus membros. E deixa claro que não houve e não haverá tal autorização no estado.
Na prática, porém, decisões desse tipo no partido costumam ocorrer por consenso, e não por votação formal. A referência ao quórum estatutário funciona mais como recado político do que como procedimento iminente.
O movimento atribuído ao prefeito de Natal, Paulinho Freire, acabou gerando um efeito colateral: a reação atingiu diretamente sua própria base dentro da legenda, incluindo a vereadora Nina Souza.
O episódio também expôs a insegurança interna no União Brasil potiguar justamente no momento de formação das nominatas. Ainda assim, um ponto chama atenção: não existe até agora nenhum pedido formal de desfiliação dos vereadores Robson Carvalho, Camila Araújo ou da própria Nina Souza.
Publicamente, José Agripino mantém tom moderado e afirma ter apreço pessoal pelo casal. Nos bastidores, porém, aliados lembram que o apoio do ex-senador foi decisivo para a eleição de Paulinho Freire à prefeitura de Natal, com estrutura e articulação política quando a campanha mais precisou.
Dois anos depois, o distanciamento político — simbolizado pela declaração de Paulinho de que não apoiaria Allyson Bezerra — passou a ser visto como um ponto de inflexão na relação.
No fim, a nota parece cumprir um papel claro: marcar posição. Mas, como é tradição no partido, a crise ainda poderá ser resolvida pelo caminho mais comum na política — o diálogo e o consenso.

Com as implosão nas nominatas do União Brasil/PP para deputado estadual e federal, qual a consequência que isso pode causar na candidatura a governador do Allison Bezerra?