4 de setembro de 2026
Memória

BICHOS DE PRAIA

 

Ilustração criada com o DALL·E, modelo de geração de imagens da OpenAI, inspirada em Henri Rousseau


Alguns dias na praia da
Barra do Rio.

Une escapade fora do veraneio.

Uma volta ao estilo de vida mais simples e primitivo.

Programa na medida para a família finlandesa que havia hospedado o filho no intercâmbio cultural e merecia conhecer tudo de melhor da nossa região.

Daquele hub, conexões para lagoas, dunas e parrachos.

A casa rústica até para padrões nativos, não se sabe como foi classificada pelos nórdicos.

Se a simplicidade fosse traduzida como ecologia, até que estaria na moda, no primeiro mundo.

Pra evitar um choque cultural atrás do outro, necessárias explicações sobre a inofensividade das lagartixas, bribas e rãzinhas de banheiro.

Todas de convívio inevitável.

Sem falar na torcida para que as cascudas não aparecessem, evitando   susto maior, num indesejado mas possível encontro com o artrópode voador.

Não estava na programação era a visita de marsupiais. Até porque nunca houve relato da presença deles ali.

Todos à mesa, na hora do jantar. Entre a meia-parede e o telhado, de olhos arregalados, dentes à mostra e posição de ataque. Lá estava, como um penetra assustado, um assustador timbu.

Não dava pra falar que era situação normal.

Antes que os visitantes fossem apresentados uns ao outro, uma ligação  para o caseiro que chegou com alguns amigos. Em poucos minutos a presa saia enrolada em panos.

Pelo desempenho daquele esquadrão caça-gambás, comandado pelo saudoso De Assis,  a eficiência do serviço deve ter atingido o padrão dos países bálticos. E impressionado os viajantes.

Para efeitos conservacionistas o animal apreendido seria solto no seu habitat, uma próxima e inexistente reserva florestal.

Inerte.

 

Praia da Barra do Rio em ilustração criada com o DALL·E da OpenAI, no estilo de Paul Gauguin


(Publicação original há seis anos)

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