16 de março de 2026
Imprensa Nacional

Bispo da Igreja Católica critica PL do estupro: “Punir mulheres sem discutir é leviandade”

Por Mônica Bergamo na Folha 

O bispo emérito de Blumenau (SC) dom Angélico Sândalo Bernardino afirma que o projeto de lei que equipara o aborto acima de 22 semanas ao crime de homicídio, inclusive para as vítimas de estupro, é “uma distorção da realidade”.

Para ele, é preciso promover a educação sexual no país antes de se “prender mulheres” que interrompem a gravidez.

“Simplesmente punir a mulher sem discutir com profundidade uma situação tão complexa é uma leviandade. É uma precipitação legalista. É querer resolver pela lei um problema muito mais amplo e muito mais vasto”, afirma o religioso, um dos mais respeitados da Igreja Católica.

CNBB DEFENDEU APROVAÇÃO DO PROJETO 

A posição do bispo é diferente da adotada pela CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), que defendeu a aprovação do projeto. “Não sou juiz da CNBB. Mas a minha posição é esta”, afirma.

Aos 91 anos, o religioso foi nomeado bispo da diocese de Blumenau em 2000 pelo papa ultraconservador João Paulo 2º.

“O aborto é um crime. Está certo. Mas espera um pouco! A mulher é frequentemente a maior vítima dessa situação. O que mais há na sociedade é machismo”, diz ele. No caso de mulheres estupradas que engravidam e fazem aborto, diz, a situação se agrava. “A pessoa jamais poderia ser punida, porque é vítima.”

Para dom Angélico, “chegou o momento de focarmos nesta problemática de maneira global, e não somente de criarmos leis para aumentar a punição”.

DO TL 

A posição do Bispo de Blumenau é minoritária na Igreja, mas não tem sido na repercussão da sociedade, que depois de pressionar nas ruas e nas redes sociais conseguiu que o presidente da Câmara, Arthur Lira adiasse a votação da matéria, criasse uma comissão para debate e não colocasse em votação em regime de urgência, como anunciou no primeiro momento.

A legislação que se pretende mudar é de 1940 e nem lá, naquela época, seria possível punir a vítima do estupro por cometer aborto com pena mais severa do que o estupro.

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