Bomba do Banco Master foi herança de Campos Neto para Galípolo no Banco Central

Há dois tipos de assalto a banco: de fora para dentro e de dentro para fora. As fraudes descobertas no Banco Master são do segundo tipo.
Na origem da prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro, está a venda mutretada de títulos de crédito ao Banco de Brasília, no ano passado. A intervenção do Banco Central no Master é uma providência acertada tomada com atraso.
A nova crise bancária é um caso clássico de herança maldita. Sabia-se há pelo menos dois anos que o Master crescia vertiginosamente pagando comissões exorbitantes na negociação de títulos de renda fixa. Remunerava corretoras e clientes com taxas muito acima da média do mercado. Quando o sinal amarelo acendeu, Roberto Campos Neto ainda presidia o Banco Central, com sua engrenagem de fiscalização.
Com o fim do mandato de Campos Neto, a bomba escorregou para a mesa de Gabriel Galípolo. O pavio foi aceso no início do ano, quando o Banco de Brasília, instituição estatal, aceitou comprar por R$ 2 bilhões um pedaço do Master.
Negócio de pai para filho, pois Daniel Vorcaro, o controlador do Master, continuaria dando as cartas. Presidiria o conselho de administração do novo negócio.
Galípolo descobriu da pior maneira que as circunstâncias o intimavam a fazer algo que havia deixado de ser feito. Deu no que está dando.
Em setembro, o Banco Central barrou o negócio do Master com o Banco de Brasília. Agora, Vorcaro e seus executivos estão na cadeia. E o Master encontra-se, finalmente, sob intervenção. Os investidores terão que correr atrás do prejuízo. O Fundo Garantidor e Créditos, entidade privada, garante o resgate dos papeis até R$ 250 mil.
Diz-se que o dinheiro vem dos bancos. Meia verdade. A garantia vem de taxas que as casas bancárias cobram dos seus clientes.
Fonte: Josias de Souza para o Uol
