BRASIL E SEUS PRIMEIROS 40 ANOS DE DEMOCRACIA

Depois de bons 40 anos, eis que a política brasileira emite sinais de mudança mostrando com quem está o poder de definir e com quem está o poder de escolha dos candidatos no próximo pleito no nosso RN.
Algo que os partidos políticos não faziam questão de comentar, fora da recomendação do que preceitua a legislação eleitoral naquele momento.
Na verdade, desde que o poder de mando foi sendo abandonado pelas grandes lideranças, surgiu um vazio.
Um vazio facilitado pela instabilidade do próprio quadro político brasileiro; e as reformas determinadas pela necessidade de dar um aparente ordenamento jurídico ao processo, no meio de um “quadro dito revolucionário” como se exigia.
EXEMPLO LOCAL
Quem procurar, aqui no nosso Rio Grande do Norte, saberá quem exerceu o poder nas últimas escolhas para Governador do Estado e não terá dificuldades em chegar a nomes nem sempre lembrados pelos analistas, estudiosos e observadores da cena.
Institucionalmente os ocupantes de dois cargos no topo da hierarquia política definiram como seria a partilha acertada por dois eleitores solitários nas duas últimas eleições para Govenador:
– Fátima Bezerra;
– Ezequiel Ferreira.
O que a Governadora combinou com o Presidente da Assembleia Legislativa terminou acontecendo, embora os dois fizessem o possível para parecer que estavam correndo por fora.
Ponto.
Provavelmente o modelo esgotou-se em si próprio. E, agora, para a próxima eleição aparecem novos personagens. O processo de escolha ocupou o seu lugar na mídia, que é sempre evitada na hora das decisões a serem tomadas.
O QUE PODE, PODE
A primeira demonstração de que alguma coisa estava mudando foi o recado dado pela governadora Fátima Bezerra.
Fatima quebrou o seu silêncio, do nada, dando uma declaração completa:
– “É desejo de Lula que eu dispute o Senado em 2026”.
Quando se elegeu e reelegeu, Fátima não se preocupou em antecipar a discussão do assunto, aliás, como deve acontecer no processo que está sendo iniciado.
O Jornal de Fato, de Mossoró, se ocupou de desenvolver e extrair reflexos da declaração: “O vice-governador Walter Alves (MDB) poderá ser o nome da vez para o Governo do Estado”.
O vice-governador Walter Alves, apesar de suas declarações anteriores sobre não ser candidato ao governo, apareceu como uma opção viável, reforçando a ideia de que as articulações políticas estão em movimento.
O episódio mostra que a força da política fora do concerto entre Legislativo e Executivo, como vinha acontecendo.
O PAPEL DOS PARTIDOS
Desde os tempos em que os partidos políticos tinham dono, e os cofres vazios, eles não apareciam cumprindo o seu verdadeiro papel.
Se antes pareciam inertes e sem direção, hoje começam a assumir um papel mais ativo e relevante na discussão sobre candidaturas. A política, portanto, está retomando sua dinâmica, onde a interação entre o Legislativo e o Executivo é fundamental, mas não a exclusiva fonte de deliberações.
Por mais que não faltem vozes abalizadas para lembrar que “2026 já começou”, isso passou a acontecer de forma natural como se fosse o caminho óbvio.
Não se trata da vontade isolada de ninguém.
UMA DATA DE TODOS
No meio disso tudo houve no Brasil uma data a se comemorar:
– 40 anos de plena democracia.
Trata-se do maior período em que em que o Brasil viveu sob o estado democrático de direito.
Uma data que não tem donos.
Pertence a todo o Povo brasileiro.
O que não significa dizer que não existiram pessoas ou grupos que atentaram contra a Democracia, mas a situação serve para mostrar que o Brasil tem tudo para permanecer nesta conquista.
Olhando para os últimos 40 anos, o Brasil certamente teve seus altos e baixos. Houve avanços significativos em várias áreas, como economia, tecnologia e até mesmo em alguns indicadores sociais. Por exemplo, houve a estabilização da moeda com o Plano Real, melhorias na educação e na saúde em alguns aspectos, e uma maior inserção internacional do país.
No entanto, também enfrentamos desafios persistentes, como desigualdade social, corrupção e problemas estruturais que ainda precisam ser resolvidos.
Apesar das dificuldades e do histórico de corrupção e desigualdade, o Brasil tem mostrado, ao longo de 40 anos de democracia, que ainda há espaço para crescimento e mudança.
