BRILHO DE TOLO

Alegoria da Vaidade (1636) – Antonio de Pereda – Museu do Prado, Madri
Há cinco anos, era registrada neste pequeno espaço pedagógico, a meteórica passagem pelo Ministério da Educação, de um astro cadente que acabou sem servir de alerta ao seu sucessor.
Cem dias não foi tempo suficiente para a nova estrela mostrar qualquer brilho.
Hoje só não estão completamente esquecidos por servirem de referência e comparação.
E como prova que o pensador Francisco Everaldo Oliveira Silva não estava certo ao dizer, pior que está, não fica.
Ficou.
Filósofo, teólogo, único bolivariano do gabinete (tem dupla nacionalidade, colombiana e brasileira), cometeu deslizes em entrevistas, no afã de agradar ao extremado guru, o chefe-líder e aos rebentos numerados, na incessante cruzada de combater adversários ocultos. E descobrí-los cada vez mais, entre os esquerdopatas, a petralhada, jornalistas e isentões.
Seu lado caribenho falou mais alto quando criticou, sem modos adequados, o comportamento dos meio-conterrâneos brasileiros no exterior.
A ideia de turismo discreto, em silêncio norueguês, sem surrupios de lembrancinhas dos hotéis mixurucas, foi recebida como avançada demais para um país governado por quem era capaz de soltar 33 palavrões numa só reunião ministerial secreta. E outros tantos para justificá-los em entrevistas, ao vivo, em rede nacional.
Não mereceu fritura, agradecimento ou perdão. Nem teve tempo pra chorar sobre o leite (branco) derramado.
Ninguém esperava era o que o destino ainda nos reservava.
Nem contava com as astúcias do novo reitor-mor.
Professor da mais famosa e melhor universidade brasileira, demonstrou que o sistema educacional viaja com piloto automático. Se tivesse mais o que fazer, a maior autoridade educacional não teria tanto tempo sobrando para o ex-Twitter.
Resolveu fazer daquele espaço reduzido, campo para divulgar seus pensamentos, palavras e obras.
Há quem diga que errou na adubação.
Por excesso de estrume.
Imprecionante os erros cometidos.
Houveram muitos. Coisa de paralizar e insitar críticas de má fé.
Cheio de auto-estima para dar, alardeava ter presidido o maior Enem de sempre. Estava certo, nas reclamações e erros. Insuperável.
Mostrado como exemplo do tipo de auxiliar que o capitão desejava, continuou se excedendo.
E não aparecia ninguém que o mandasse tomar Regulador Xavier Nº 1 ou Extrato Concentrado de Simancol.
Foi longe demais ao chamar os vizinhos togados de ‘vagabundos’.
Mesmo que o trabalho dos anciãos seja mostrado pela TV e muitos tenham tempo para aposentadoria.
O galado não percebia que meteoros não têm órbitas. Quando entram na atmosfera, para brilharem, pegam fogo.
E logo desaparecem.

O Trinfo da Morte (1562) – Pieter Bruegel, o velho – Museu do Prado, Madri.
Notas do Redator
1. Ao final do texto original foi dada uma ‘Sugestão de rodapé’:
Da próxima vez, excelência, xingue com palavra que tenha duplo sentido.
Fica mais fácil de explicar depois.’
2. Ricardo Vélez Rodríguez e Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub são os personagens desta estória de ascensão e queda, nas altas esferas da administração pública.
