14 de fevereiro de 2026
Gestão

CADÊ O DÉCIMO?

Imagem criada pelo ChatGPT


O calendário de pagamento do governo do estado transporta, numa pequena viagem no tempo, ao ano de 2019.

Tudo por conta da falta de informações sobre a data de pagamento  do décimo-terceiro salário.

Com uma diferença: desta vez, ninguém tem  coragem de falar no assunto.

O medo da suspensão das redes sociais, por divulgação de fakenews, atingiu o estágio de crime  por pensamento, além dos já consolidados, por palavras e obras.

Muitos acreditam que a gratificação natalina é mais uma jaboticaba.

Coisa nossa, tupinambá, sem similar em outros países.

Até o Senador Mourão viajou  nessa maionese durante a campanha de 2018.

Para  barões, liberais, coxinhas e endinheirados, apresentou sua ideia com palavras melíferas.

Acabar com a bonificação seria bom para todos.

Só que não.

A marola deu onda.

Quando quase arrebentava na praia, foram salvos, ele e o capitão, pelo bispo.

O Adélio.

Tudo porque no país mais rico, não há.

Como não tem lá, licença-gestante nem férias remuneradas.

Nos Estados Unidos da América, estabilidade e FGTS, ainda esperam por um Bernie Sanders.

Ou quem quer que venha a ser  o primeiro number one socialista.

Lá os salários dispensam penduricalhos. E com menos impostos do Trump – o retorno a festa continuará sendo deles,  e a inveja, nossa.

No pindorama, prometido por muitos, só entrou no bolso da plebe ignara no governo de Jango, em 1962.

Na época, empresários, prefeitos e governadores diziam não ter como pagar.

Antes, quem podia, não negava.

As festas. Uma gratificação de fim-de-ano.

Voluntária, a depender da generosidade dos patrões.

Ao lado de outras reformas simpáticas ao governo trabalhista, entrou na cota dos motivos para o golpe (o de verdade)  dois anos depois.

Refresco para as despesas da estação festiva, é o pagamento mais aguardado.

Diferente dos outros, não remunera diretamente o trabalho.

Percebido como um extra, destinado ao supérfluo a ser gasto com coisas prazerosas.

Direito sagrado, tão certo no fim do ano, quanto o show de Roberto Carlos, os bancos atendiam os ansiosos com a antecipação em troca de moderados juros. E podia-se fazer as compras dos presentes bem antes da black friday.

Nos tempos de inflação modelito  argentino (pré-Milei), para proteger o poder de compra, passou a ser parcelado em duas vezes.

A metade queimada já nas fogueiras juninas.

Recebido com tanta expectativa e privando da intimidade,  passou a ser chamado carinhosamente de décimo.

Simplesmente.

Como se mimoso apelido familiar, fosse.

Há quatro anos, foi necessário o parto de uma suplementação na maternidade da Assembleia Legislativa, para espanar a poeira da caderneta dos haveres com os servidores estaduais.

Este ano, alguém já escutou na rádio peão que o décimo só sairia da toca, se o Presidente Lula desse uma força e um jamegão.

Com o derrame presidencial, desta vez, de sangue subdural, resta pedir  a intercessão de Dona Janja, a primeira-dama das causas quase impossíveis?

 

Rosângela Lula da Silva, em pose para a revista Vogue

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