Caso Master expõe racha no STF e acirra tensão entre instituições

Os desdobramentos do escândalo do Master estimulam a percepção de que muita gente poderia se encrencar se a Receita Federal revirasse as contas de certos ministros do Supremo e de seus familiares. Não seria má ideia, desde que a fiscalização fosse escorada nas regras e nas leis.
Quando dados fiscais são apalpados numa bisbilhotagem clandestina, quem entra na zona de perigo não são as togas nem suas parentelas, mas as instituições do Estado.
Em plena terça-feira gorda, os rapazes da Policia Federal foram às ruas em três cidades onde o Carnaval é animado: Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Por ordem de Alexandre de Moraes, realizaram batidas de buscas e apreensão em endereços de suspeitos de extrair ilegalmente das máquinas da Receita dados de magistrados e familiares.
Nos bastidores, ministros que costumam fazer oposição a Moraes dentro do Supremo Tribunal Federal reagiram à decisão do colega de mandar a Receita Federal rastrear quem teria acessado os dados de integrantes da Corte e de seus familiares.
Na avaliação de um influente ministro, a ordem de Moraes seria “ilícita”. A avaliação desse magistrado é de que somente o presidente do STF, Edson Fachin, poderia ter feito essa solicitação diretamente à Receita.
Esse ministro reclamou ainda do fato de Moraes não ter avisado os demais integrantes da Corte sobre a diligência. Houve ainda crítica ao fato de Moraes ter tomado as decisões no âmbito do inquérito das fake news, que tramita em sigilo.
O caso Master empurrou as relações institucionais brasilienses para um pântano repleto de escorpiões e aranhas peçonhentas.
Nele, pessoas que deveriam se unir contra a criminalidade engalfinham-se nos bastidores. Em meio à pancadaria, o pior que pode ocorrer é enlamear instituições para proteger CPFs que que merecem investigação.
Fonte: Uol e Migalhas
