12 de dezembro de 2025
Memória

CONTANDO CRÔNICAS

Max Ferguson


Fazendo de conta que o aprendiz de cronista domina as operações da aritmética, já terá passado dos 3000, os textículos publicados neste
Território Livre.

Sem contar com os repetecos, com avisos póstumos,  de tratar-se de  material reciclado.

Que enganado, ninguém gosta de  tomar café requentado, nem de ouvir miado de lebre.

Levando em conta que  não existem escolas para formar cronistas, não se sabe o formato da curva de aprendizagem, quando o pico é atingido e nem mesmo, a duração do processo.

Como em qualquer outra atividade, as dificuldades são maiores no início, depois se equilibram, até o domínio do acochambramento.

Desistências existem, são frequentes e por muitas razões, mas todas têm em comum um ponto de saturação.

O mesmo que ocorreu com certos medicamentos que  foram usados sem evidências comprovadas, em estudos duplo-cegos, a experiência pessoal que se acumula, conta.

E tem alguma eficácia.

A frequência diária, (incluídas as segundas-feiras) enquanto a  maioria das similares são hebdomadárias ou eventuais, reforça o método do aprender fazendo.

Da dor ao gemido, sempre há tempo para um suspiro.

Na contagem dos ativos e conversão das moedas, o equivalente a mais de 50 anos  de publicações  semanais.

Este é o balanço parcial de até onde já foi a paciência do respeitável público leitor.

Daqui pra frente, serão outros três milhares.

O jornal O Globo, ao comemorar seus 100 anos  faz um precioso registro dos  colaboradores que passaram por suas colunas.

Escritores, pensadores, artistas. Todos com  pauta livre e  autonomia para escrever o que querem e o que der nos telhados.

Como em qualquer negócio, trata-se  de processo de compra e venda, dispensada a moeda de troca  em papel impresso.

O que se  produz é postado no mercado digital, reproduzido em redes sociais, até atingir o consumidor final.

Que pode ler, fazer scroll dinâmica, deletar, curtir ou simplesmente dar um dislike.

Garantido o constitucional direito ao contraditório e aos comentários, sempre acatados.

Elogiosos ou espinafrantes, sempre registrados em cordiais agradecimentos ou réplicas ferinas e raivosas.

A necessária pausa no noticiário árido e o convite à reflexão sobre todo e qualquer assunto,  por ângulo desfocado do comum, sempre terá a graciosa companhia da ironia e do quase sarcasmo.

Apesar das líricas, sem um toque de bom humor, não faz o menor sentido ser mais uma, no armazém de secos e molhados.

João Ubaldo Ribeiro, useiro e vezeiro, no gênero e em grau, já alertava:

“Tudo cabe numa crônica.                                            Ela só não pode ser, é chata.”

Axé!

 

 

Max Ferguson, é um pintor nascido em 1959, que registra cenas urbanas que desaparecem na cidade de Nova York e arredores

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