14 de fevereiro de 2026
Memória

DARCY, IEMANJÁ E BIMBO

Há cinco anos, a deposição de Iemanjá do pedestal na Praia do Meio despertou nas lembranças de Leonardo, o irmão de memória prodigiosa, falecido há uma semana, reminiscências da passagem do Professor Darcy Ribeiro por estas terras resgatadas do astuto holandês.

1990, campanha de Lavoisier Maia ao governo.

O também candidato (ao senado) pelo Rio de Janeiro, o ex-Ministro da Educação de Jango,  Darcy Ribeiro, veio dar uma força aos socialistas morenos potiguares.

Comícios, seus acessórios e consequências, nas capitais. Natal e Mossoró.

Contou com o apoio do correligionário, lídimo representante das beiras do Curimataú e dos pés-de-serra da Barriguda experiências pantagruélicas na peixada da Comadre e na carne assada do Lira.

Pena que o assessor João Batista Saraiva não esteja mais por aqui para confirmar os outros locais aprazíveis visitados pelo ilustríssimo antropólogo.

No city tour, ao avistar a estátua de Iemanjá , pediu ao cicerone (por indiscrição do discípulo Mércio Pereira Gomes, tratado por Bimbo) que falasse com a prefeita Wilma Maia para cuidar da desgastada  escultura.

E fez uma inédita  confissão de fé.

Falando sério,  como se numa aula magistral estivesse, revelou que aquela era a  santa de sua devoção.

Mostrou os ex-votos que ela havia recebido e comparou com os dos outros santos.

Enquanto todos recebiam pernas, braços e mãos de madeira ou barro. Quadros com fotografias, fitas coloridas. E buscavam uma graça ou um milagre, os dedicados à rainha do mar eram bem  diferentes.

Aos pés da imagem, cachaça e outras bebidas.

Muitas flores, pentes  e espelhos.

Até calcinhas, cuecas e sutiãs.

É diferente. É só alegria.

A santa da devoção de Darcy era a santa da gandaia.

“A única santa que transa”.

(Publicação original em 01/12/2019, sob o título  “O Devoto de Iemanjá”)

 

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