17 de abril de 2026
Opinião

De aliado de Lula, negação de ser bolsonarista e filiação ao PL : as apostas políticas de Álvaro Dias

 

Foto feita com ajuda de IA para ilustração

A trajetória política do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, oferece um retrato emblemático das transformações — ou transmutações — ideológicas que marcam parte da política brasileira atual.

Pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, ele se prepara para trocar o Republicanos do pastor Marcos Pereira e deputado Hugo Motta pelo Partido Liberal de Rogerio Marinho e Valdemar da Costa Neto  legenda que abriga o ex-presidente Jair Bolsonaro e se consolidou como um dos polos da direita — e, para muitos analistas, da extrema direita — no país.

O movimento chama atenção não apenas pela mudança partidária em si, mas pelo contraste com a origem política de Álvaro Dias.

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Ele que iniciou a vida pública em Caicó pelo PMDB, legenda historicamente associada ao centro político. Posteriormente, filiou-se ao PDT, sigla identificada com o campo trabalhista e social-democrata, herdeira da tradição brizolista. Durante anos, sua identidade esteve vinculada a esse espectro mais ao centro-esquerda.

Nos últimos anos, contudo, o ex-prefeito migrou para o Republicanos, partido de forte presença no chamado Centrão do Congresso Nacional, com perfil pragmático e alianças variáveis conforme o cenário nacional. Agora, ao ensaiar desembarque no PL — legenda liberal na economia e de forte inclinação conservadora nos costumes —, sua trajetória parece completar um arco que o desloca definitivamente para a direita do tabuleiro político.

“NÃO ME CONSIDERO BOLSONARISTA”

O ponto mais sensível dessa transição está na relação com o bolsonarismo. Em entrevista à 95 FM Natal, Álvaro Dias foi categórico: “Não, não me considero bolsonarista”. A negativa, entretanto, veio acompanhada de elogios à relação institucional e pessoal que manteve com Jair Bolsonaro durante o período mais crítico da pandemia da Covid-19, ressaltando o apoio do Governo Federal à Prefeitura de Natal.

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“INDEPENDENTE DE QUEM GOSTE OU NÃO, SOU ALIADO DE LULA”

A declaração contrasta com posicionamentos anteriores. Em 2023, durante evento de lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Natal, o então prefeito fez elogios públicos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diante dos ministros Rui Costa e Renan Filho. Em entrevista posterior à 98 FM, foi além: afirmou que o povo nordestino deve “respeito e gratidão” a Lula pelas políticas assistenciais implementadas na região, destacando a relevância histórica dessas ações no enfrentamento das desigualdades e dos efeitos da seca.

“Independente de quem goste ou não, sou aliado de Lula”, disse ele na mesma entrevista.

FILIAÇÃO AO PL COM PRESENÇA DE FLÁVIO BOLSONARO 

É nesse contexto que a iminente filiação ao PL, com articulação que inclui a presença do senador Flávio Bolsonaro, ganha contornos simbólicos. Embora Álvaro Dias sustente não ser bolsonarista, seu alinhamento a um partido estruturado em torno da liderança de Jair Bolsonaro — e que deve palanque ao ex-presidente nas disputas locais — coloca em xeque a coerência dessa afirmação.

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Na política, identidade não se define apenas por autodeclaração, mas por trajetórias, alianças e escolhas estratégicas.

Ao transitar do PMDB ao PDT, do Republicanos ao PL, Álvaro Dias redesenha sua própria biografia ideológica — e desafia o eleitor potiguar a decidir se está diante de uma evolução programática legítima ou de um pragmatismo moldado pelas conveniências da hora.

No momento,  em que se apresenta como alternativa ao Governo de um  Estado de maioria lulista, sua principal tarefa talvez não seja apenas construir apoios, mas explicar, com clareza, qual é afinal o seu lugar no espectro político nacional — e se há, de fato, uma linha de coerência que una passado e presente.

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