1 de março de 2024
Nota

Defesa de Ramagen complica vida de ex-subordinados e coloca ABIN como casa de mãe Joana

 

Por Josias de Souza no UOL

Sob as regras do devido processo legal, um dos trechos cruciais de qualquer investigação é a defesa do investigado.

Estrela da nova fase do inquérito sobre a Abin paralela, o deputado Alexandre Ramagem, policial federal de carreira, não quis depor à PF. Mas falou à imprensa.

Em vez de se defender, complicou-se.

“Nenhum plano de operação, em três anos de Abin, assinado por mim, colocava a utilização do FirstMile”, disse Ramagem, referindo-se à ferramenta de fabricação israelense usada sob Bolsonaro para monitorar ilegalmente autoridades e desafetos políticos.

No afã de negar, o investigado confirmou os achados da PF, pois espionagem clandestina não consta mesmo de “plano de operação oficial.

Ramagem soou enfático ao comentar as evidências de que o equipamento de espionagem foi acionado clandestinamente contra alvos do interesse de Bolsonaro.

“Se o policial usa a arma equivocadamente, não é culpa do diretor-geral”. Nesse trecho, esquivou-se de sua responsabilidade sem negar a malfeitoria. Jogou ao mar os ex-subordinados.

A julgar por suas explicações, Ramagem avalia que, sob sua direção, a Abin converteu-se numa espécie de sucursal da Casa da Mãe Joana. Ou do Pai Bolsonaro. Nessa repartição, espionava-se à margem da lei, sem que o chefe tivesse controle sobre os meios usados pelos subordinados.

A tese da balbúrdia não é boa. Mas é a saída mais confortável para Ramagem. A alternativa exigiria uma dose maior de criatividade. O investigado precisaria convencer a plateia de que tudo o que está na cara não passa de uma conspiração da lei das probabilidades com a PF, a Procuradoria e o Xandão para incriminar mais um bolsonarista inocente.

DO TL 

O episódio da ABIN como terra de ninguém não é o primeiro e, provavelmente, não será o último no Brasil polarizado de narrativas extremistas, em que verdade não parece mais ser buscada pelas instituições, que deveriam elucidá-la.

Cada um tem a sua…

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