Depois de 28 anos, Ciro Gomes pode voltar ao PSDB para ser candidato ao Governo do Ceará

Filiado ao PDT há cerca de dez anos, Ciro Gomes mantém conversas com o PSDB, que tem interesse no seu regresso. Em 1990, ainda nas fileiras do partido, ele foi eleito governador do Ceará com o apoio de Tasso Jereissati, antecessor no cargo e até hoje o principal cacique tucano no estado. É com Tasso, inclusive, que está a missão de atrair Ciro, que desde a saída da sigla, em 1997, acumula críticas à antiga casa.
O político de 67 anos, quatro vezes candidato à Presidência da República, é cotado como possível candidato ao governo do estado no ano que vem.
Presidente nacional do PSDB, que agora estuda novos rumos depois de a ideia de federação com o Podemos ruir, Marconi Perillo afirma que deu aval a Tasso para intensificar as conversas.
— Já autorizei o Tasso a prosseguir nas conversas com ele. Ele será bem-vindo ao partido — diz.
Depois que a parceria entre PDT e PT foi rompida no Ceará, em 2022, Ciro passou a se aproximar da direita, mesmo estando num partido de centro-esquerda. Chegou até a trocar elogios com bolsonaristas do PL.
Para 2026, o PSDB pretende caminhar a nível local na oposição ao PT, que terá o governador Elmano de Freitas como candidato à reeleição.
CRÍTICAS DURAS AOS TUCANOS
Assim que deixou o PSDB, em 1997, Ciro passou a atacar a antiga legenda. Disse, ao anunciar a candidatura presidencial na eleição do ano seguinte — concorreria pelo antigo PPS e ficaria em terceiro lugar —, que se recusava a conversar com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
O próprio Tasso, de quem se reaproximou nos últimos anos, foi alvo. Em 2016, ao analisar o cenário para 2018, classificou um grupo da política cearense, incluindo Tasso, como “indústria de picaretas”.
Entre o PSDB e o PDT, Ciro passou ainda por PPS, PSB e PROS. Concorreu a presidente quatro vezes, todas depois de deixar de ser tucano. Foram duas pelo partido trabalhista e duas pelo PPS, sigla que virou o atual Cidadania.
Do Globo
