Direita ocupa capitais, mas não repete multidões da era Bolsonaro

Manifestações organizadas por grupos de direita foram realizadas em mais de 20 cidades brasileiras neste domingo (1º), com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Este foi o primeiro ato depois da condenação de Jair Bolsonaro e de sua prisão e o primeiro ato depois da confirmação de Flávio Bolsonaro como candidato à presidência e inclusive de seu desempenho nas últimas pesquisas, em que aparece empatado com Lula no segundo turno.
Durante os protestos, o senador Flávio Bolsonaro adotou tom moderado e evitou citar nominalmente ministros da Corte. Ele afirmou ser favorável ao impeachment “de qualquer ministro do Supremo que descumprir a lei”, mas declarou que o alvo não é a instituição. “Nosso alvo nunca foi o Supremo, que é fundamental para a democracia, mas estão destruindo a democracia”, disse.
Em São Paulo, o ato na Avenida Paulista reuniu 20,4 mil pessoas no horário de pico, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Cebrap e a ONG More in Common. No Rio de Janeiro, o pico foi de 4,7 mil participantes.
Em Natal, o ato ocorreu em frente ao Midway Mall e não chegou a ocupar um quarteirão.
Apesar de terem alcançado várias capitais, as mobilizações registraram público significativamente inferior ao observado entre 2019 e 2022, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro participava presencialmente dos atos.
A redução no comparecimento ocorre em meio à inelegibilidade de Bolsonaro até 2030, determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e é vista por analistas como um indicativo do desafio da direita em manter o mesmo nível de mobilização sem a presença direta do ex-presidente.
