Domiciliar para general Heleno aponta distância para a de Bolsonaro

Três dias depois de negar pedido de prisão domiciliar para Bolsonaro, Alexandre de Moraes concedeu o benefício humanitário a Augusto Heleno. O general chegou ao seu apartamento pouco depois das 23h desta segunda-feira.
No despacho em que abriu a prisão do Comando Militar do Planalto, Moraes riscou um traço divisório entre os casos do general e do capitão.
Além de realçar os “graves problemas de saúde” e “a idade avançada” de Heleno, Moraes anotou que “não há, e jamais houve até o presente momento, qualquer risco de fuga causado pelo comportamento” do general. Citou o caso de Fernando Collor, a quem também concedeu a prisão em casa por doença e “ausência de qualquer indício de tentativa de fuga.”
Heleno tem Alzheimer. Collor foi diagnosticado com Parkinson. Bolsonaro é atormentado por complicações de meia dúzia de cirurgias a que se submeteu desde que foi esfaqueado em 2018. Na sexta-feira, Moraes autorizou uma nova cirurgia. Mas indeferiu o pedido da defesa para que Bolsonaro fosse do hospital para casa.
Moraes anotou que Bolsonaro recebe tratamento médico adequado na prisão. Lembrou que o hospital onde Bolsonaro se trata fica mais perto da carceragem da carceragem da PF do que de sua casa. Lembrou que o preso descumpriu medidas cautelares reiteradamente. Mencionou os atos “visando a fuga”, como o ferro quente que meteu na tornozeleira.
Quer dizer: tão cedo Bolsonaro não terá o refresco humanitário servido por Moraes a Heleno e Collor.
Fonte: Josias de Souza para UOL
