É FORD

Há seis anos, o aprendiz de cronista confessava neste Território Livre que era também um irmão obediente e agradecido.
As incorreções que Leonardo, o ombudsman e vigilante dos escritos fraternais eram sempre devidamente corrigidas e publicadas.
Enriquecidas com detalhes de quem presenciou outros fatos ocorridos (ou não) em Nova Cruz e que não merecem cair no esquecimento .
Tudo graças à sua desobediência, sendo cinco anos mais velho, apesar da proibição materna, teve a ventura de ver os grandes astros do taco & giz em ação.
Ao vivo.
No pano verde.
Como ele não vai contar aos netos, que estava lá, nos grandes, emocionantes e inesquecíveis embates, o tio-avô metido a memorialista, deixa registrado nas nuvens, lugar onde as memórias sempre repousaram e agora choram de saudade.
Dizer que de Mandinho Rosendo, ainda lembra uma ou outra performance, sempre na condição de expectador clandestino.
Juarez das Bicicletas e Valdomiro do Caminhão, somente de ouvir falar, pela lenda que resistiu ao tempo.
No que seria seu 78° aniversário, reparto mais uma do Seu Zizi, o dono do snooker bar mais rememorado da cidade.
Do jeito que foi contado por Bimbo, uma estória inafiançável mas muito ao estilo do pai de Seu Helano (por favor, esqueça o H aspirado):
“Coronel Lula Moreira, saído da barbearia de Zé Passos, inadvertidamente, entrou no carro de Flávio Ramalho, uma fubica Ford 29.
Ordenou que fossem para sua fazenda, a icônica Lapa, a poucos quilômetros da cidade.
E só veio notar que havia entrado em carro errado, quando chegou ao destino.
O Coronel Lula, como seu primo Totô Jacintho, todos os anos comprava um carro novo.
Maneira de ostentar e manter a disputa pela pole position do maior patrimônio da cidade.
O possante trocado pelo calhambeque, era de último modelo, recém chegado e tinindo de novo.
Seu Zizi justificou o equívoco :
– Tudo né Ford ?”

