13 de dezembro de 2025
Memória

É FORD

O Café Noturno (1888) – Vincent van Gogh – Galeria de Arte da Universidade de Yale, Estados Unidos


Há seis anos, o aprendiz de cronista confessava neste
Território Livre que era também um irmão obediente e agradecido.

As incorreções que Leonardo, o ombudsman e vigilante dos escritos fraternais  eram sempre devidamente corrigidas e publicadas.

Enriquecidas com detalhes de quem presenciou outros fatos ocorridos (ou não) em Nova Cruz e que não merecem cair no esquecimento .

Tudo graças à sua desobediência,  sendo cinco anos mais velho,  apesar da proibição materna,  teve a ventura de ver os grandes astros do taco & giz em ação.

Ao vivo.

No pano verde.

Como ele não vai contar aos netos, que estava lá,  nos grandes, emocionantes e inesquecíveis embates, o tio-avô metido a memorialista, deixa registrado nas nuvens, lugar  onde as memórias sempre repousaram e agora choram de saudade.

Dizer que de Mandinho Rosendo, ainda lembra uma ou outra performance, sempre na condição de expectador clandestino.                         

Juarez das Bicicletas e Valdomiro do Caminhão, somente de ouvir falar, pela lenda que resistiu ao tempo.

No que seria seu 78° aniversário, reparto mais uma do Seu Zizi, o dono do snooker bar mais rememorado da cidade.                             

Do jeito que foi contado por Bimbo, uma estória inafiançável mas muito ao estilo do pai de Seu Helano (por favor, esqueça o H aspirado):

“Coronel Lula Moreira, saído da barbearia de Zé Passos, inadvertidamente,  entrou no carro de Flávio Ramalho, uma fubica Ford 29.

Ordenou que fossem para sua fazenda, a icônica Lapa, a poucos quilômetros da cidade.                                          

E só veio notar que havia entrado em carro errado, quando chegou ao destino.

O Coronel Lula, como seu primo Totô Jacintho, todos os anos comprava um carro novo.                                      

Maneira de  ostentar e manter a disputa pela pole position do maior patrimônio da cidade.

O possante trocado pelo calhambeque, era  de último modelo, recém chegado e tinindo de novo.

Seu Zizi justificou o equívoco :

 – Tudo né Ford ?”

  Leonardo Arruda Câmara                                     (25/07/1947 – 11/05/2024)

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