E se Fátima não renunciar? Há exemplos exitosos de governadores que cumpriram mandato até o fim

Ao longo da história política recente do Nordeste, alguns governadores optaram por abrir mão de projetos eleitorais pessoais para concluir seus mandatos e atuar diretamente na construção da sucessão dentro de seus grupos políticos.
Foi o caso dos ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa, na Bahia, e de Ricardo Coutinho, na Paraíba.
Na Bahia, Jaques Wagner (PT) inaugurou, em 2007, um ciclo político que rompeu com mais de uma década de hegemonia do grupo carlista (ACM) no estado. Reeleito em 2010, Wagner optou por permanecer no cargo até o último dia do mandato, em dezembro de 2014, apesar de ser frequentemente citado como potencial candidato ao Senado ou a cargos no governo federal. A decisão teve caráter estratégico: além de consolidar as políticas implantadas desde 2007, Wagner atuou diretamente na escolha e no fortalecimento de seu sucessor, o então chefe da Casa Civil, Rui Costa, eleito governador naquele mesmo ano. A permanência até o fim permitiu controle administrativo, estabilidade política e forte presença na campanha sucessória.
Rui Costa seguiu caminho semelhante. Eleito em 2014 e reeleito em 2018, o governador baiano resistiu às pressões para deixar o cargo antes do término do segundo mandato, especialmente diante da possibilidade de disputar o Senado em 2022. Rui optou por concluir integralmente o governo, mantendo a caneta e a capacidade de articulação política até o último momento. A decisão foi central para a eleição de Jerônimo Rodrigues (PT), então secretário de Educação, garantindo a continuidade do projeto político iniciado ainda na gestão Wagner. O movimento consolidou um ciclo de quatro mandatos consecutivos do PT no comando do estado.
Na Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB) adotou estratégia semelhante. Eleito governador em 2010 e reeleito em 2014, Coutinho decidiu permanecer no cargo até o fim do segundo mandato, em dezembro de 2018, apesar de ser cotado para disputar outros cargos eletivos. A permanência foi decisiva para a montagem da chapa governista e para a escolha do sucessor, João Azevêdo, então secretário de Infraestrutura, eleito governador naquele ano. Coutinho exerceu papel ativo na campanha, utilizando a estrutura política e administrativa do governo para assegurar a continuidade do seu grupo no poder.
Nos três casos, a decisão de não renunciar representou uma ruptura com uma prática comum na política a de privilegiar projeto pessoal em detrimento do grupo. Há quem diga a decisão do vice-governador Walter Alves trouxe a possibilidade com mais força, principalmente diante da incerteza que é a hegemonia governista na Assembleia hoje.
