ECOS DE UM INESQUECÍVEL DISCURSO

Há seis ano, o relato de um famoso discurso que o Capitão José da Penha havia proferido em Nova Cruz, publicado neste território livre de insensibilidade suscitava comentários no grupo e no seio familiares.
A ausência de um dos personagens só faz aumentar a saudade pela evocação que a peça oratória sempre traz, da inesquecível cidade da infância comum.
Marluce, a mais experiente da irmandade, lembrou de tê-la ouvido muitas e repetidas vezes.
Cassiano revelou as ocasiões nas quais não faltava sua colocação.
De alto, bom tom e com todas as vogais e consoantes caprichosamente pronunciadas, pelo nosso patriarca.
Pontual e invariavelmente, após cada derrota eleitoral.
Corrigiu até o local da peroração:
“O discurso foi de uma janela do Cosmopolita Hotel, hoje de minha propriedade”
Leonardo, o historiador da linhagem, acrescentou detalhes. Como lhe contaram. E o que vivenciou e guardava na memória privilegiada:
“Não foi claque organizada .
Foi geração espontânea mesmo.
Pela péssima dicção do orador, provocando uma intranquilidade no ordeiro povo da cidade.
Ao Iniciar o discurso, o “Povo de Nova Cruz” foi entendido como “Fogo, Nova Cruz !!!”
Faltou dizer que, quando jovem vereador, chegou a elaborar um Projeto de Lei para desomenagear o Capitão. Desistiu, para não provocar mais um cisma político-familiar com o ex-prefeito, seu pai, autor da homenagem com o nome da rua que liga o centro da cidade e o populoso bairro do Alto de São Sebastião.
“Em uma das minhas campanhas, para Deputado Estadual em plena Ponte Régis Bitencourt, sobre a encontro dos Rios Curimataú e Bujari, ao saber que o Deputado Tarcísio Ribeiro havia sido mais votado do que eu, na minha cidade, dei razão ao Capitão e repeti, o “Nova Cruz, nesga do Rio Grande do Norte. Pedaço infeliz da Rússia”
E para confirmar o vínculo da terrinha, com a eloquência, logo outra memorável oração, a de Lincoln, em Gettysburg, veio à lembrança, na figura de Segundo Moreira, parente e correligionário que certa vez, perguntou aos universitários:
“Quem é esse Abraão de quem Lauro tanto fala?”

