15 de dezembro de 2025
Memória

ECOS DE UM INESQUECÍVEL DISCURSO

Stone City, Iowa (1930) – Grant Wood – Museu de Arte Joslyn, Omaha, Nebraska


Há seis ano, o relato de um
  famoso discurso que o Capitão José da Penha  havia proferido em Nova Cruz, publicado neste território  livre de insensibilidade suscitava comentários no grupo e no seio familiares.

A ausência de um dos personagens só faz aumentar a saudade pela evocação que a peça oratória sempre traz, da inesquecível cidade da infância comum.

Marluce, a mais experiente da irmandade, lembrou de tê-la ouvido muitas e repetidas vezes.

Cassiano  revelou as ocasiões nas quais não faltava sua colocação.

De alto, bom tom e com todas as vogais e consoantes caprichosamente pronunciadas,  pelo nosso patriarca.

Pontual e invariavelmente, após cada derrota eleitoral.

Corrigiu até o local da peroração:

O discurso foi de uma janela do Cosmopolita Hotel, hoje de minha propriedade”

Leonardo, o historiador da linhagem, acrescentou  detalhes.  Como lhe contaram. E o que vivenciou e guardava na memória privilegiada:

Não foi claque organizada .

Foi geração espontânea mesmo.

Pela péssima dicção do orador, provocando uma intranquilidade no ordeiro povo da cidade.

Ao Iniciar o discurso, o  “Povo de Nova Cruz” foi entendido como “Fogo, Nova Cruz !!!”

Faltou dizer que,  quando jovem vereador, chegou a elaborar  um Projeto de  Lei para desomenagear o Capitão. Desistiu, para não provocar mais um cisma político-familiar  com o ex-prefeito, seu pai, autor da homenagem com o nome da rua que  liga o centro da cidade e o populoso bairro do Alto de São Sebastião.

“Em uma das minhas campanhas, para Deputado Estadual em plena Ponte Régis Bitencourt, sobre a encontro dos Rios Curimataú e Bujari, ao saber que o Deputado Tarcísio Ribeiro havia sido  mais votado do que eu, na minha cidade, dei razão ao Capitão e repeti, o “Nova Cruz, nesga do Rio Grande do Norte. Pedaço infeliz da Rússia”

E para confirmar o  vínculo da terrinha, com a eloquência, logo outra memorável oração,  a de Lincoln, em Gettysburg,  veio à lembrança, na figura de Segundo Moreira, parente e correligionário que certa vez, perguntou aos universitários:

“Quem é esse Abraão de quem Lauro tanto fala?”

 

A Cavalgada da Meia-Noite de Paul Revere (1931) – Grant Woods – MoMa, Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque                                                                                              ••• Paul Revere foi um ourives, que trabalhou como mensageiro durante as batalhas de Lexington e Concord, na guerra da independência dos Estados Unidos.                   Suas “corridas noturnas” são consideradas um símbolo de patriotismo.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *