10 de dezembro de 2025
NotaVIOLENCIA

“Ele disse que que eu ia morrer e começou a me bater sem parar”, relato de Juliana também confirma tentativa de feminicídio

Igor foi preso em flagrante graças ao porteiro do edifício que chamou a Polícia,  enquanto a agressão ocorria

 As imagens chocam, revoltam, geram textos inflamados de desabafo com grito de clamor para que a tentativa de FEMINICÍDIO contra Juliana Garcia dos Santos não seja mais um número na impunidade no Rio Grande do Norte e no Brasil. 

Igor Eduardo Pereira Cabral, de 29 anos, foi preso após agredir a namorada com 61 socos dentro do elevador de um condomínio em Natal, no Rio Grande do Norte. O caso aconteceu no último sábado (26) e foi registrado por câmeras de segurança do local.

A vítima saiu do elevador com o rosto desfigurado e ensanguentado, sendo socorrida por vizinhos. Igor foi detido ainda no local e será indiciado por tentativa de feminicídio.

Igor Cabral tem histórico como atleta profissional. Ele integrou a seleção brasileira de basquete 3×3 e disputou torneios internacionais, incluindo campeonatos mundiais. O nome dele também consta nos registros da Liga Nacional de Basquete e dos Jogos Olímpicos.

Após a repercussão do caso, Igor desativou as redes sociais. A prisão em flagrante foi convertida para preventiva. O caso é investigado pela Polícia Civil do Rio Grande do Norte.

O agressor foi preso no local e conduzido à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM). A vítima foi levada para o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. Os ferimentos são considerados graves.

CIÚME COMO MAIOR DESCULPA 

Segundo a Folha de São Paulo, a promotora de vendas Juliana Garcia dos Santos Soares, 35, relatou que as discussões foram iniciadas por conta de ciúme após Igor ter visto, no celular dela, mensagens em que ela se comunicava com um amigo dele, sem segundas intenções.

Ela também disse que ele já havia apresentado comportamentos agressivos anteriormente. O relacionamento durava dois anos, entre “muitas idas e vindas”.

“ELE DISSE QUE EU IA MORRER E COMEÇOU A ME BATER SEM PARAR”

“Ele não gostou. Jogou meu celular na piscina porque queria mostrar a um amigo que estava conosco. Eu saí de perto para evitar o conflito. Ele foi para o meu bloco, subiu para pegar as coisas dele e eu subi pelo outro elevador para encontrar ele lá. Quando subimos, eu o notei agressivo”, iniciou ela.

Ela conversou com a reportagem por mensagem de texto, pois está com a dicção comprometida pelas lesões.

“Eu não quis sair do elevador porque achei que ele fosse me agredir e, no corredor, não tem câmeras. Ele queria me convencer a sair de lá. Foi aí que ele disse que eu ia morrer e começou a me bater sem parar”, complementou.

No laudo médico do Hospital Walfredo Gurgel, onde foi atendida, consta que Juliana apresentou fraturas na face e na mandíbula. De acordo com ela, precisará passar por cirurgia.

IMAGENS FALAM POR SI, MAS MUITAS VEZES A PALAVRA DA MULHER É DESACREDITADA 

Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública de janeiro a junho de 2024  mostram que 32 mulheres no Rio Grande do Norte foram vítimas de tentativas de feminicídio. O número é 88% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando 17 mulheres quase foram mortas por motivos banais.

É um crime que cresce em todo Brasil e que conta com alguns desafios como a proximidade do criminoso da vítima, da família e amigos com a tendência reiterada de amenizar os sinais iniciais de agressão, como se fosse algo esporádico de um destempero momentâneo. Não é ! As estatísticas também mostram a escala dos comportamentos agressivos contra as mulheres geralmente têm início com empurrões, tapas e gritos até chegar na fatalidade anunciada. 

O video do elevador que tornou a dor de Juliana pública e inquestionável é também a sua maior arma contra a impunidade tão frequente em casos semelhantes.