12 de dezembro de 2025
Golpe

Elite do Exército quer convencer que agiu como “kids abilolados”

O pedaço golpista dos kids pretos imaginou que tivesse uma alma verde-oliva quando colocou os pés no golpe de Bolsonaro. Desde então, os integrantes desse núcleo intoxicado das Forças Especiais do Exército sofreram uma inusitada mutação cromática.

Ficaram vermelhos de raiva com a resistência do então comandante do Exército, general Freire Gomes. Desnudados no inquérito policial, amarelaram. Inquiridos pela PF, ganharam uma cor de burro quando foge.

Agora, ouvidos no Supremo, os kids se camuflaram de animadores de um divertido golpe infantil. Ficaram cor-de-rosa.

Autor do plano Punhal Verde e Amarelo, o general Mário Fernandes já tinha esclarecido que a preparação da morte de Lula, Alckmin e Xandão não passou de um “pensamento digitalizado”.

Nesta segunda-feira, o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, responsável pelo plano Luneta, disse que o planejamento da prisão de Xandão e de outros supremos “geradores de instabilidade” era o esboço de “um cenário totalmente hipotético”.

Coisa de menino que entra numa quadrilha junina ansioso pelo momento em que alguém grita “olha a cobra!”. O kid explicou: “Se amanhã sair um relatório ou um pronunciamento falando ‘atenção, teve fraude’ [nas urnas], eu não posso deixar meu comandante ser surpreendido.”

O general Estevam Theophilo, que tinha os kids sob suas ordens, reconheceu que esteve com Bolsonaro no bunker do golpe. Mas não ouviu no Alvorada senão inocentes desabafos de um “mito” amargurado. Limitou-se a receitar calma.

Na versão do coronel Fabrício Moreira de Bastos, a carta em que oficiais espinafraram a frouxidão do chefe do Exército virou uma “inocente” peça “mal escrita”. Nos lábios do coronel Bernardo Romão Netto, a reunião dos kids para maquinar detalhes do golpe foi um mero “encontro de amigos.”

Quer dizer: oficiais da elite das Forças Armadas, treinados com todos os recursos materiais e tecnológicos que o déficit público pode pagar, pedem para ser tratados como kids abilolados, não como criminosos do destacamento que Bolsonaro chamava de “meu Exército”. São oficiais cuja valentia diminui na proporção direta da aproximação das grades.

Por Josias de Souza no UOL

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