FALANDO COM OS BICHOS

Cavalo Azul (1911) – Franz Marc – Galeria Municipal) de Munique, Alemanha
A humanidade parece se aproximar de uma das suas mais remotas e últimas fronteiras.
A comunicação inteligível com os outros animais.
Cientistas em diversos países, estão usando máquinas para espionar alguns, como ratos-toupeira, morcegos, corvos e baleias, e tentar a comunicação de volta.
Emily Anthes, repórter de Ciência e Saúde do jornal The New York Times, avançou neste fascinante território e voltou para contar que em breve, não seremos mais os únicos considerados racionais.
Os ratos-toupeiras-pelados, que vivem em colônias embaixo da terra, são os principais objetos destes estudos, pelo repertório vocal elaborado.
Eles trinam, assobiam, grunhem e comportam-se com polidez.
Quando dois ratos se encontram em um túnel escuro, trocam uma saudação padrão. “Eles fazem um chiado suave e depois um chiado suave repetido”, contou à repórter o Dr. Alison Barker, neurocientista do Instituto Max Planck de Pesquisa do Cérebro, na Alemanha.
“Eles têm uma pequena conversa.”
Não apenas cada rato-toupeira tem sua particular assinatura vocal; cada colônia, um dialeto distinto, que foi transmitido culturalmente por gerações.
Os estudiosos começaram a implantar tecnologias para decodificar a comunicação animal, usando algoritmos de aprendizado, para identificar quando os camundongos que chiam estão estressados ou por que os morcegos estão gritando.
Projetos ainda mais ambiciosos estão em andamento, para criar um catálogo abrangente de cantos de corvos, mapear a sintaxe das baleias cachalotes e desenvolver tecnologias que permitam aos humanos responder.
Escondida nessas trocas, está uma riqueza de informações sociais que poderão causar uma revolução na relação entre as espécies.
“Vamos tentar desenvolver um Tradutor Google para animais”, disse Diana Reiss, especialista em cognição e comunicação de golfinhos.
Tom Mustill, cineasta de vida selvagem, autor do livro Como Falar Baleia, faz a comparação fascinante:
“É como se tivéssemos inventado um tipo de telescópio, uma nova ferramenta que nos permite perceber o que já estava lá, mas não conseguíamos ver antes.”
E não para por aí: há dois anos, um grupo internacional de pesquisadores conseguiu treinar inteligência artificial para reconhecer diferentes “palavras” usadas por elefantes africanos em seus chamados graves, quase inaudíveis para nós.
Cada som carrega mensagens distintas — desde saudações pessoais até alertas de perigo.
Pela primeira vez, humanos começam a responder com gravações artificiais, às quais os elefantes reagem de maneira apropriada, como se realmente tivessem entendido.
Quem sabe, já não esteja chegando a hora da madame levar um papo animado com a sua Fify?
Cervos na Floresta (1913) – Franz Marc – Coleção Phillips, Washington DC, EUA
(A conversa sobre este tema começou há três anos)

