14 de fevereiro de 2026
Nota

Fatos mostram campanha do Crime Organizado no Sertão

O Brasil está entrando em um novo ciclo eleitoral. No horizonte, a sombra do financiamento irregular de campanhas com recursos que, muitas vezes, nem mesmo os próprios candidatos conhecem a origem, batendo de frente com o financiamento público de campanha, o fundo eleitoral de R$ 4.9 bilhões. E ainda sob o risco do crime organizado se entranhar mais na nossa política, com facções milícias influenciando a escolha do eleitorado e o controle de votos — e, ainda, impedindo que se faça campanha em determinadas áreas.

Como não existe dinheiro sobrando em canto nenhum, nem mesmo quando o Governo se dispõe a pagar a conta da farra toda é preciso mais (dinheiro do crime) para financiar as candidaturas, além da disposição de grupos com controle territorial armado conseguir votos para determinados políticos. Esse é o problema-chave dessas eleições municipais.

O que torna esse ambiente ainda mais perigoso é o crime organizado ter obtido sucesso em se manter como uma estrutura potente, capaz de gerar influencia e fé, negócios e proteção. O Brasil está diante de uma economia que se torna aquecida a partir da lavagem do tráfico de drogas. O traficante entra disfarçado (com uma nova identidade), “que nem faca em melancia” na visão de um calejado cabo eleitoral.

Mesmo com carência de informações, e a barreira do medo em “mexer com quem está quieto”, o tráfico já é uma presença no Interior do Nordeste, inclusive no pequeno Rio Grande do Norte.

Aqui com um único fato (um fato surpreendente), que chegou ao noticiário, mesmo com escassez de informação: – A Força integrada de Combate ao Crime Organizado do Rio Grande do Norte (FICCO/RN), numa ação de cooperação policial internacional com a participação da Polícia Nacional do Peru prendeu um homem condenado no Brasil, a mais de 32 anos.

Trata-se de um dos dez criminosos mais procurados do Rio Grande do Norte que estava escondido na cidade de Pucallba, no Peru. Fato ocorrido em 25 de maio.

NO RASTRO DO CRIME

Ainda segundo a Polícia Federal, foi encontrada documentação falsa do criminoso apreendido, e, após investigação, se confirmou a verdadeira identidade dele, que tem um extenso histórico criminal.

A Polícia Federal informou que o preso já havia realizado fugas do Centro de Detenção Provisória no Rio Grande do Norte, em 2008, e do presidio de segurança máxima da Paraíba, em 2028, quando teve de usar explosivos para evadir-se.

Assim mesmo esta identidade vem sendo preservada para “não atrapalhar a investigação”.

O assassinato do prefeito Neném Borges, de São José do Campestre, ele teria sido condenado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), e representa um momento alarmante na escalada da violência perpetrada pelo crime organizado na política do Brasil. O principal suspeito, Vandinho, ao permanecer em silêncio durante seu depoimento e expressar o desejo de ficar no pavilhão que abriga membros do PCC em Alcaçuz, forneceu indícios significativos sobre a autoria intelectual e as motivações por trás desse ato brutal.

Segundo as investigações, a execução do prefeito foi uma resposta direta à sua interferência nas operações de tráfico de drogas, uma das principais fontes de renda para a facção criminosa. Esse evento não apenas lança luz sobre o audacioso desafio imposto pelo PCC à ordem pública, mas também expõe as vulnerabilidades do Estado na guerra contra o crime organizado.

LUTA PELO PODER

Esta ocorrência policial reforça a ideia de existência de uma luta pelo poder que esses grupos já acumularam. Mais do que atos isolados de violência, tais incidentes são manifestações de uma estrutura organizada que visa consolidar sua influência através do medo e da subjugação. O prefeito de São José do Campestre, cidade distante a 100 km de Natal, foi morto a tiros dentro de sua casa, no fim da noite de uma terça-feira, em 18 de abril de 2023. Joseilson Borges da Costa, de 43 anos, mais conhecido como Neném Borges, levou três tiros no rosto. Segundo a polícia, o crime aconteceu por volta das 23h. O autor do crime teria pulado o muro de uma escola abandonada, passou por um beco e entrou na casa do prefeito pelo portão, que estava aberto. Neném Borges estava deitado no sofá de casa.

Outros familiares também estavam no imóvel, mas não foram atingidos pelos tiros. O criminoso – filmado e fotografado – conseguiu fugir.  As investigações policiais identificaram o matador e ele pode ser o caminho para que a verdade completa comece a aparecer.

A luta do Estado brasileiro contra o crime organizado tem sido marcada por desafios significativos. As estatísticas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública destacam um aumento na violência e nas atividades criminosas, incluindo tráfico de drogas, extorsão e homicídios. A complexidade e a capacidade de adaptação dessas organizações dificultam as operações de combate, exigindo uma abordagem multifacetada que vá além das medidas repressivas.

Um bom tema para a campanha eleitoral é qualificar este novo inimigo da democracia brasileira e exigir o seu esclarecimento, começando pela divulgação de fatos já apurados, como estes registrados no RN, e se dê conhecimento da abrangência dessa guerra que não tem despertado o interesse devico.

“O dono no vírus produz o próprio ganho político, econômico, financeiro, social, e agora quer também o eleitoral. O algoritmo do ódio, invisível e presente, senta-se à mesa de todos”. – Numa só frase, no seu discurso de posse, a nova Presidente do Tribunal Regional Eleitoral, ministra Carmem Lúcia, oferece o quadro completo de nossa triste situação.

– Que tenha consequências.

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