HINO À VERDADE

Ninguém lembra mais de um marco e da sua importância no enfrentamento da pandemia, neste esplendente rio grande, terra indomada e gentil que na fúria da guerra, já domou até o astuto holandês.
Outros insolentes também já haviam sido banidos deste pedaço com sol deslumbrante, uma orquestra de luz sobre o mar.
Foi por ti que o Brasil acordou e desta conquista formou-se a vanguarda.
O esforço, mistério inda guarda mas ninguém pode negar.
Somos um território livre de fakenews.
Não fosse o tirocínio dos nossos governantes e a eterna vigilância dos ilustres parlamentares, teríamos enfrentado as sucessivas ondas de contaminação, num mar de mentiras e falsidades.
Há cinco anos, o governo do estado baixou, não se sabe de onde, nem em qual terreiro, um decreto proibindo a divulgação de notícias falsas sobre a pandemia, com multa de 25 mil reais para quem fosse apanhado na rede de arrastão das mídias sociais.
A câmara municipal da capital foi mais longe na legislação e transformou o espírito pouco democrático do ato discricionário da mandatária de origem popular, em lei, aprovada à unanimidade dos edis.
E mais na medida do bolso do contribuinte enganador, em pagável taxação de um mil contos de réis.
Quando a soma das perdas fatais ainda se aproximava da segunda dezena, circularam previsões catastróficas vindas do império londrino, com reforço de egressos das mais famosas universidades americanas.
Um pequeno exército de harvard boys projetou para um mês, terrível placar fatídico que passado um ano, um quinto não havia sido atingido.
Identificados facilmente em lives e coletivas, dos autores da mais inverídica de todas as notícias, não se sabe quantos receberam punição e se o montante arrecadado pelos fiscais da mentira foi empregado, como reza o dispositivo legal, em campanhas de combate às fakenews papa-jerimuns.
A persistente dúvida se remédios para lombrigas e piolhos podiam ser reposicionados e ao arrepio das bulas, empregados na abordagem dos primeiros sintomas, havia salvo o burgomestre de contrair a Síndrome de Guillotin.
Ainda com vigência legal, posto que não revogado, o decreto permite que as autoridades sanitárias forneçam outros esclarecimentos à população.
Se eram realmente falsas as informações que os decretos governamentais haviam proibido as visitas ao Castelo de Keulen e suspensas as atividades do teatro e da biblioteca de Nova Amsterdã.
Se eram verazes as teleprescrições e vis os honorários cobrados em likes, por deputado, no YouTube .
Circularam notícias, não confirmadas e por fontes ocultas, que os métodos empregados na contagem das motos, nos sabatinos passeios presidenciais, foram similares aos utilizados no inventário dos novos leitos clínicos e de UTIs, na guerra da propaganda entre a pandemia estadual, versus municipal.
Dos arcanos revoltos da história, ainda não foi declarado, de novo.
Potiguares, é o povo senhor!

