Lobby das Bets vence mais uma na Câmara Federal

Boas ideias também surgem no Congresso. Mas somem rapidamente. O Senado incluiu no texto da lei antifacção um reforço para o caixa da segurança pública. Previa a taxação de 15% dos lucros das casas de jogatina eletrônica.
Coisa de R$ 30 bilhões por ano. No escurinho de uma votação noturna, a Câmara fez desaparecer a arrecadação bilionária pouco antes da meia-noite.
Invicto, o lobby das bets ganhou mais uma. Prevaleceu sem deixar digitais.
A votação foi simbólica, sem registro no painel eletrônico. O relator Guilherme Derrite modificou vários artigos vindos do Senado. Mas tinha mantido no seu texto a mordida nas bets.
Surgida do nada, uma emenda do bloco União-PP retirou de cena, sem muito debate, o caixa dos cassinos eletrônicos.
Segundo o Banco Central, a jogatina movimenta até R$ 30 bilhões por mês. O vício destrói a saúde financeira e mental da clientela. Em agosto de 2024, 5 milhões de brasileiros pendurados no Bolsa Família torraram R$ 3 bilhões em jogos on-line. O dinheiro que encheria a geladeira evaporou na velocidade de um Pix.
No ano passado, as bets colocaram o governo na roda. A Fazenda incluiu numa medida provisória a elevação do imposto sobre o jogo. Queria aumentar 12% para 25%. Recuou para 18%. Culpando o centrão, o relator petista Carlos Zarattini voltou para os 12% iniciais. E a MP perdeu o prazo de validade antes de ser votada.
O lobby da jogatina tornou-se o mais poderoso de Brasília. Supera o da Bíblia, o do boi e o da bala. Perto dos barões do jogo, Daniel Vorcaro é um amador.
Fonte: Uol
