18 de abril de 2026
Nota

No banco dos réus que matou Marielle Franco tinha o … Estado

O julgamento dos mentores do assassinato da vereadora Marielle Franco foi como radiografia que confirma um diagnóstico conhecido. Expôs células de um tumor que virou metástase. As condenações são parte do tratamento, não a cura.

Na cobertura da organização criminosa, estavam um conselheiro do Tribunal de Contas do Rio e um deputado federal cassado. Pegaram 76 anos e três meses de cadeia. Abaixo deles, com penas que foram de 9 a 56 anos de prisão, um ex-chefe da Polícia Civil e policiais militares.

É fácil compreender por que o crime demorou oito anos para ser julgado. Havia no banco dos réus um sujeito oculto: o Estado.

A infiltração de criminosos no aparato estatal é um câncer nacional. Mas no Rio de Janeiro a doença evoluiu da contaminação para a fusão. Ali, o crime e a política operam em regime de coalizão.

Quando não concorrem, milicianos e traficantes viram sócios na exploração de pedaços do mapa. Controlam o território e os votos. Elegem representantes na Câmara Municipal, na Assembleia Legislativa e no Congresso. Indicam prepostos para cargos públicos, inclusive no setor de segurança. Para saber como o câncer evolui, basta olhar para o que acontece no México.

Por Josias de Souza no Uol

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