13 de abril de 2026
Nota

No meio do caminho tinha uma bandeira: A disputa de Álvaro e Allyson por símbolos na largada eleitoral

A largada da pré-campanha ao Governo do Rio Grande do Norte ganhou contornos mais definidos com a saída do então prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB) do cargo para se dedicar integralmente à disputa.

O movimento antecipa uma estratégia que já vinha sendo ensaiada: a construção de uma imagem popular, dinâmica e fortemente conectada com símbolos de identidade regional.

Nesse início de jornada, um elemento chama atenção pela recorrência: a retomada da bandeira do Rio Grande do Norte como ativo político. Tanto Allyson quanto o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, passaram a incorporá-la em suas aparições públicas e conteúdos digitais, numa tentativa clara de não permitir que o adversário monopolize um símbolo historicamente pouco explorado em campanhas estaduais. Ao lado do já tradicional chapéu de couro, a bandeira ressurge como marca visual de pertencimento e, ao que tudo indica, tende a permanecer no repertório eleitoral.

SÍMBOLOS IGUAIS NUMA FORMA DE COMUNICAR DIFERENTE 

Se no campo simbólico há convergência, na forma de comunicação a diferença é evidente.

Allyson se apresenta nas redes sociais com uma linguagem que rompe o padrão clássico da política institucional. Mais do que um candidato falando ao eleitor, projeta-se como um criador de conteúdo: vídeos dinâmicos, gestos espontâneos, interação direta e cenas que misturam cotidiano, informalidade e espetáculo — ele dança, corre, monta a cavalo, abraça apoiadores. A lógica é menos a do discurso e mais a da conexão.

Do outro lado, Álvaro Dias também intensifica sua presença digital, mas em ritmo mais contido, refletindo um estilo mais tradicional. Sua comunicação busca se adaptar ao ambiente das redes, ainda que preserve uma postura mais formal, com maior mediação e menor grau de espontaneidade. Não é etarismo, mas a observação de um traço geracional visto em outros políticos 60+

ATIRAR NA HABILIDADE DO ADVERSÁRIO PODE SAIR PELA CULATRA

Nesse contexto, a disputa também se desloca para o campo da narrativa.

Aliados de Álvaro têm investido na tentativa de rotular o adversário com termos como “prefeito TikTok”, numa estratégia de desqualificação que busca associar a performance digital à superficialidade. O efeito, no entanto, é incerto. Em ambientes altamente mediados por redes sociais, atributos como autenticidade e proximidade podem pesar mais do que a formalidade. Especialmente entre públicos mais jovens e conectados, que Dias precisa conquistar. 

Há um precedente que recomenda cautela nesse tipo de abordagem. Quando rotulado de forma pejorativa como “menino” em disputas anteriores, Allyson Bezerra transformou a crítica em ativo político e venceu uma eleição considerada improvável em Mossoró. O episódio sugere que determinadas características — juventude, leveza, domínio de linguagem digital — podem ser mais difíceis de desconstruir do que aparentam.

Nesse início de pré-campanha, portanto, mais do que propostas ou alianças, o que se observa é uma disputa por linguagem, símbolos e percepção. E, nesse terreno, a forma de comunicar pode ser tão decisiva quanto o conteúdo.