14 de fevereiro de 2026
NotaOpinião

Nordeste volta a crescer mais com força das novas energias


Uma série de investimentos públicos e privados, previstos para os próximos anos, deve turbinar a economia do Nordeste e fazer com que a região cresça num ritmo mais acelerado do que a média do Brasil no longo prazo. Estudo da Consultoria Tendências aponta que a região deve se expandir à média de 3.4% ao ano entre 2026 e 2034 de 2006 a 2034. Ante 2.5% que serão observados para o País nesse período.

As previsões positivas para o Nordeste e seus 60 milhões de habitantes de habitantes estão baseadas em investimentos que devem somar R$ 750 bilhões. Os setores com previsão de investimento são gás natural e petróleo, energia eólica, concessão de aeroportos e privatização de companhias de energia elétrica e de saneamento. No período de 2026 a 2034, o segundo melhor crescimento deve ser colhido pela Região Nordeste (3.1%).

O assunto mereceu a manchete da primeira página da edição nacional d´O Estadão, que circulou na última segunda-feira, trazendo um sopro de otimismo para o RN que vinha colecionando notícias negativas quanto ao futuro da sua economia, no particular, e do Nordeste, em geral.

Trabalho recém-finalizada pela Tendências Consultoria mostra que o PIB da região central do país pode avançar 2,3% em 2023, enquanto a economia nordestina deve crescer 2,4%. A estimativa para a média nacional é de 1,9%. Ao todo, eles devem somar R$ 750 bilhões. “O Nordeste vai ter um ganho de tração com exploração de gás natural e petróleo, energia eólica, concessão de aeroportos e com uma série de privatizações de companhias de energia elétrica e de saneamento”, afirma Lucas Assis, economista da consultoria Tendências.

Segundo a consultoria, as regiões serão puxadas por agropecuária e indústria – com destaques para a retomada da produção de alumínio no Maranhão, parada desde 2015 -, além da boa evolução do turismo. O economista Lucas Assis, da Tendências, afirma que o Centro Oeste segue beneficiado por soja, cana, biocombustíveis e carnes.

O PIB do Norte deve crescer 2,1% até dezembro, com forte crescimento do abate de bovinos. Contudo, os resultados mais fracos da indústria extrativa no Pará explicam o desempenho ligeiramente acima da média nacional, segundo a projeção. O Sudeste é a única região para a qual se espera avanço menor do que a média do país – de 1,7%. “A região é altamente industrializada e o setor deve apresentar um desempenho relativamente menor em 2023”, diz Assis. Há, ainda uma série de desafios ligados à demanda interna por bens industriais e ao desastre do Rio Grande do Sul.

NORDESTE CRESCE MAIS

Para o longo prazo, o estudo da Tendências para o jornal O Estado de S. Paulo é de um avanço mais forte no Nordeste – com crescimento anual médio do PIB regional estimado de 3.,4% entre 2024 e 2032 -, seguido por Centro Oeste e Norte, com 2,5% cada, contra a média nacional de 2%.

“O turismo, setor que também gera bastante empregos locais, deve ser estimulado nos próximos anos sobretudo pela desvalorização do real frente ao dólar”. “As transferências governamentais devem continuar em patamar elevado, garantindo consumo de bens e serviços das famílias”.

Em contrapartida, Sudeste e Sul devem crescer relativamente abaixo da média nacional até 2032, com avanços de 1,8% e 1,6%, nessa ordem. O desempenho das indústrias “pouco dinâmicas” pesam na conta, embora o setor automotivo tenha espaço para avançar.

VOLTA PARA O FUTURO

Se os números se confirmarem, o Nordeste vai voltar a ocupar uma posição de destaque no cenário econômico nacional. No início dos anos 2000, a região apresentou expressivo crescimento – e na maior parte do tempo, chegou a superar o desempenho brasileiro.

“No começo dos anos 2000, a região Nordeste – e o Brasil como um todo – foi beneficiada por uma combinação de fatores muito particular naquele período”, diz Assis. “Houve o boom das commodities (no cenário internacional), o Brasil passou por uma série de políticas públicas de erradicação da pobreza, que beneficiou muito a região Nordeste em termos do consumo da família.”

ENERGIA DO NORDESTE

Da iniciativa privada, os principais investimentos virão do setor de energias renováveis. Só do setor eólico há R$ 21 bilhões de parques em construção, com capacidade para gerar 3 mil megawatts (MW). Há ainda cerca de R$ 130 bilhões de projetos outorgados (18 mil MW), mas ainda não iniciados na região, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

“A cada R$ 1 que se investe em energia você devolve para o PIB R$ 2,9. Há um efeito de cadeia produtiva para todo o País. Olhando para o Nordeste o efeito é ainda mais amplo, pois nos últimos anos o IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios) cresceu 20% com a chegada dos parques eólicos”, diz a presidente da Abeólica, Elbia Gannoun.

Um dos grandes projetos da região é o Conjunto Eólico Santo Agostinho, no Rio Grande do Norte, da Engie. Localizado nos municípios de Lajes (9,8 mil pessoas) e Pedro Avelino (6 mil pessoas), o empreendimento é formado por 14 parques eólicos e 70 aerogeradores. O projeto, de R$ 2,3 bilhões, terá capacidade instalada de 434 MW e já tem alguns aerogeradores em operação comercial desde o ano passado.

Os projetos de energia solar também têm ajudado a turbinar os investimentos na região. Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), no total são mais de R$ 60 bilhões em geração distribuída (aquela no telhado das casas) e geração centralizada (de grandes parques solares).

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