15 de fevereiro de 2026
Memória

O MELHOR EMPREGO DO MUNDO

Ponte de madeira sobre o Rio Punaú – Belmir Lopes (pintor potiguar contemporâneo)


Há notícia que faz todo mundo sonhar. Em ondas alfa e outras frequências.

Que sempre teremos Paris.

E Casablanca.       

Num país com quase uma dezena de  milhões de pessoas procurando trabalho e um tanto de desalentados que já desistiram, quem não gostaria de ter o melhor emprego do mundo?         

O inglês que venceu 34 mil concorrentes e foi contratado pelo governo de Queensland, para ser zelador de uma paradisíaca ilha deserta nos corais australianos, deixou muita gente babando de inveja.

Ainda mais quando se soube que para a nada estafante faina, receberia 40 mil reais. Por mês.

Há outras ocupações pelas quais  qualquer um deixaria tudo para aventurar-se nelas, em qualquer lugar do mundo.

Avaliador de roteiros e hotéis de luxo.

Tomador de cervejas.

Provador de chocolates.

Sommelier do Noma, em Copenhagen.

Parça de Neymar.

Jogador de videogames.                            

Até testador de camisinhas (não há informações se o Viagra é por conta do empregador).

Até para quem está em busca de emoções extremamente radicais, está difícil surgir uma oportunidade.                                              

O interessado precisa ter vocação para o serviço militar, experiência como garçom de churrascaria de rodízio e estar sempre disponível para longas viagens.

Além do salário, outras oportunidades para multiplicar ganhos.
Pede-se discrição.
                                                              É o que se espera de um taifeiro de avião presidencial.

Em meados do século passado, podia-se encontrar uma atividade tão desafiadora e invejável.

Por aqui perto, em cidades do interior nordestino.

E não era tão difícil assim conquistá-la.                      

Havia vagas para todos interessados .                      

Única exigência: ter terminado o curso de Agronomia.

O recrutamento era feito na própria escola.  Pela ANCAR  (Associação Nordestina de Crédito e Assistência Rural). No dia da colação de grau.

Com status nivelado aos mais destacados notáveis (médico, juiz e pároco), o doutor do campo tinha, de longe, o melhor de todos os empregos.

De deixar qualquer DAS 5 de olho gordo.                

Além do salário federal, transporte privativo e suporte de assistente-social.

Penduricalhos que nenhuma outra profissão podia oferecer:

Um jipe novo e uma moça-velha.

(Publicação original em 01/07/2019)

 

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