O que de novo nas Convenções?

É uma pergunta que se repete a cada eleição. Qual foi a maior convenção entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte? Mais do que uma disputa por números, esses eventos funcionam como demonstração de força política, capacidade de mobilização e poder de articulação na largada oficial da campanha.
No campo governista, o candidato do PT, Cadu Xavier, reuniu aliados no sábado, no ginásio do DED. O forte calor acabou interferindo na dinâmica do evento. Muitos militantes preferiram acompanhar a programação do lado de fora, onde havia mais ventilação. A extensa lista de oradores também pesou. Quando Cadu finalmente discursou, o público já era menor, reflexo do desgaste provocado pelo tempo, pela fome e pela temperatura elevada.
Ainda assim, o objetivo foi alcançado: apresentar uma chapa unificada e tentar virar a página das disputas internas que marcaram a definição dos nomes para a composição majoritária. A mensagem foi de unidade, tendo o presidente Lula como principal referência política.
Os dois principais adversários apostaram em convenções simultâneas, ocupando regiões distintas de Natal.
Allyson Bezerra levou sua militância ao Palácio dos Esportes, em Petrópolis, área onde Álvaro Dias tradicionalmente concentra boa parte de sua força política. O ginásio ficou lotado. A estratégia privilegiou objetividade: poucos discursos e protagonismo para os candidatos. Allyson e sua mulher Cíntia, candidata a deputa estadual, chegaram carregados pelos apoiadores, em clima de celebração. A narrativa reforçou a defesa de uma campanha que procura evitar a polarização ideológica. Já Zenaide Maia, candidata ao Senado, fez um discurso protocolar, lido e sem maior impacto sobre o público.
Na Zona Norte, Álvaro Dias reuniu aliados no Ginásio Nélio Dias, o maior palco das convenções do fim de semana. O espaço também recebeu grande público. O prefeito Paulinho Freire liderou sua militância, vestindo a camisa da candidatura da esposa, Nina Souza, à Câmara Federal. Rogério Marinho nacionalizou o debate ao concentrar seu discurso no enfrentamento ao PT. Ezequiel Ferreira, recém-integrado ao grupo, demonstrou sintonia com os novos aliados, especialmente após a composição com Styvenson Valentim na disputa pelo Senado.
Álvaro entrou no clima. Sorriu, dançou, interagiu com a plateia e repetiu mais de uma vez que promovia a maior convenção da campanha.
Quem levou a melhor? A resposta depende do critério. Em capacidade física, o Ginásio Nélio Dias é o maior dos espaços utilizados no fim de semana. Em mobilização, todas as campanhas buscaram produzir imagens de força e demonstrar musculatura eleitoral.
Mas a experiência recomenda cautela. Convenção cheia rende boas fotografias, anima a militância e fortalece o discurso político. Não garante votos. A história das eleições potiguares — e brasileiras — mostra que nem sempre quem reúne a maior multidão na largada cruza a linha de chegada na frente.
A campanha começou. O placar, por enquanto, segue zerado.
