O real motivo para Bolsonaro não receber o presidente de Portugal

Por Thomas Trauman na Veja
O anúncio de Jair Bolsonaro de que não receberia o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, na segunda-feira em Brasília, por ele ter antes uma agenda com Lula da Silva é apenas um pretexto.
O motivo real para Bolsonaro gerar um incidente diplomático é evitar que o presidente português esteja no Brasil nas comemorações dos 200 anos de independência, em 7 de Setembro, presença que poderia amarrar Bolsonaro no que pode ser o auge da sua campanha pela reeleição.
No encontro com Bolsonaro, Rebelo iria confirmar que Portugal concordou em transladar o coração do imperador D. Pedro 1 para o Brasil para as comemorações, mas os planos bolsonaristas são outros.
Há semanas, o bolsonarismo convoca manifestações para o 7 de setembro para ameaçar uma ruptura institucional como já foi feito no Dia da Independência do ano passado.
Antes do cancelamento do encontro, o ministro general Luiz Ramos disse à agência France Presse que a presença do português obrigaria Bolsonaro a mudar o tom do 7 de Setembro.
“Não tem clima para ir num carro de som, botar o presidente de Portugal do lado como ele fez em São Paulo ou Brasília (em 2021).
(A presença do presidente português) É quase uma vacina, um remédio que vai certamente permitir que ele (Bolsonaro) seja mais institucional”, disse Ramos.
Na entrevista, o general Ramos, amigo de Bolsonaro desde os anos 1970, admitiu que existem riscos de ruptura institucional.
“Não vou tentar fugir do tema, os radicais de um lado e do outro. A preocupação é sobre todos. O presidente não é radical, ele tem os discursos dele e tal.

Será que o presidente não tem competencia de vencer nas urnas? Será que de forma radical, vai fazer como seu amigo Trump, e querer dar um golpe de Estado?
Faço minha as palavras da jornalista Vera Magalhães:
“Golpe dá trabalho, e Bolsonaro não gosta de trabalhar”