24 de janeiro de 2026
CoronavírusMemória

OS ASTROS NÃO MENTIAM

Há cinco anos, depois de ter pegado a tigresa do zoo do Bronx e a bichana da vovó Esmeralda, o coronavírus merecia muito mais estudos que os que cientistas, epidemiologistas, âncoras de TV e palpiteiros em geral estavam  apresentando.

Não devia  ser mesmo coisa deste mundo.

Tesconjuro, Magalu, três vezes, Casas Bahia.

Não é que seus efeitos destruidores estavam  sendo observados até fora deste nosso mundinho de Deus?

A devastação  havia sido detectada até nos grotões do espaço sideral, lá pras bandas dos buracos negros, confins da via láctea.

Ninguém  estava vendo o tanto de mudanças na ordenação dos planetas, porque os astrofísicos e astronautas trocavam telescópios e astrolábios por aparelhos que vêem coisas muito menores.

Igualmente distantes.

Tantinhos.

Tiquinhos.

De tamanhos  medidos em nanômetros.

Milionésimos de milímetros.

O controle da pandemia dependia do comportamentos que o rastro de destruição vinha  mostrando alhures.

Além da incrível capacidade de mudar e adaptar-se ao meio, por onde chegava, dava um toque loco-regional, como se autóctone fosse.

Sentava praça e se estabelecia.

Não respeitava quarentena nem se incomodava com zuada de baticum de  panela velha.

No Brasil, não contava era com a astúcia nem com o histórico de atleta do então capitão-general-comandante-em-chefe, das forças de resistência.

Era missão quase impossível para qualquer vírus, mesmo os fabricados sob encomenda, enfrentar uma soldadesca treinada para pular em esgotos e nada acontecer.

Estações sismológicas com sensores mais aguçados haviam captado movimentos erráticos capazes de influenciar a configuração astral e todos os horóscopos. Incluídos os ciganos e chineses.

Como explicar que um  ariano, sem preconceitos raciais, vide Hélio Negão, não pudesse manter uma relação intensa e amistosa com um ministro sagitariano, como reza a cabala clássica?

A não ser,  que o ministro  subordinado estivesse sonhando em brilhar mais que o astro-rei. Do que parece não ter havido evidências científicas.

Nada que um lauto jejum pentecostal associado às rezas fortes das legiões de seguidores fundamentalistas, não pudesse realinhar.

Resiliência e saco.

A crise iria passar.

Não haveria nenhum divórcio.

Aleluia, irmão.

Aleluia, irmã.

Estava escrito nas três estrelas presidenciais, a previsão para os nascidos no primeiro decanato do signo dos mansos de espírito, Carneiro:

Aliar-se aos outros e trabalhar com eles em torno de metas comuns é mais fácil nesta fase, em que a lua está no signo oposto ao seu, Libra, onde reforça sua capacidade de colaboração e lhe estimula a trabalhar em grupo.

Dica: não se envolva em atritos, evite as disputas e atue no sentido de preservar a paz. (Claudia Hollander).

O encaixe perfeito com o signo oposto, não foi o bastante para manter Mandetta no ministério.

Equilíbrio e Mansidão só existiam na  clarividência dos astros.

Mesmo assim, eles acabaram conspirando  a nosso favor.

Fomos salvos na cauda de um cometa.


(O texto lembra a fritura do Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta,  no auge da Pandemia)

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