24 de janeiro de 2026
CENSURA

PÁRIAS DA LIBERDADE

A liberdade guiando o povo (1830) – Eugène Delacroix – Museu do Louvre, Paris


Enquanto
Aristóteles filosofava e ajudava a fincar os alicerces da democracia, era servido em seus afazeres domésticos e substituído nos trabalhos braçais, por escravos.

Todo o tempo dos sábios de Atenas  era insuficiente para  as atividades políticas.

Nossos ideais de liberdade e igualdade, foram definidos  por cidadãos livres. Exceto ex-escravos, mulheres e estrangeiros.

A lógica aristotélica atravessou a história, recebeu o incremento dos ideais de igualdade da  Revolução Francesa para chegar aos dias de hoje, ainda clamando por liberdade.

A mais devastante, mortal e duradoura epidemia escreveu um novo capítulo no livro libertário que ainda está sendo escrito.

A doença não deixou mais  que as asas da liberdade permanecessem  tão abertas quanto sempre estiveram nos versos dos poetas.

O manual de sobrevivência na floresta de vírus, variantes, vacinas e cepas, passou a ser a lei maior que transcendeu os poderes do Estado e de quem elaborava ou guardava suas regras.

Ciência das verdades transitórias, a Medicina passou por mudança tão intensa  que só poderá ser avaliada muito depois que as poeiras dos sucessivos vendavais que a afetaram,  não estiverem mais embotando a visão da verdade científica, resistente às versões convenientes e ao tempo das dúvidas proibidas.

Conceitos antes inquestionáveis não sobreviviam fora dos slogans, chavões e lugares comuns, tantas vezes repetidos.

Até o domínio e propriedade do próprio corpo deixaram de ser direito absoluto e inalienável.

Ninguém podia defender sua inviolabilidade sob risco de ser acusado por hediondo crime de lesa-humanidade.

Qualquer pessoa que por algum motivo, mesmo os que sempre dispensaram explicações, os de foro íntimo,  decidia não se proteger com a vacina, além de ser rotulado de terrorista doméstico, era condenado a todas as penas reservadas aos obscurantistas, alijado do convívio social, perdendo o emprego e o direito de ir e vir.

Tivesse durado mais a tormenta, não é  difícil imaginar o destino reservado aos recalcitrantes imunológicos.

Os portadores dos passaportes carimbados com sucessivas doses, estariam livres, festeiros e aglomerados, os auto-excluídos seriam obrigados a pregar nas vestes, um símbolo de perigo, inspirado na estrela de seis pontas de terrível memória.

Ninguém se aproximaria deles a menos de dois metros, suas mãos jamais seriam apertadas e em lares e comércios estariam proibidos de entrar.

Seriam amaldiçoados aqueles que se insurgissem contra a cláusula pétrea que “vacina boa é vacina no braço”.

O autoritarismo entranhou-se nas regras dos poderosos e seus arautos, e agora resiste nas sucessivas tentativas de controle das mídias sociais.

O objetivo é tão claro que só não consegue ser visto pelos ofuscados com o falso brilhantismo dos deuses de pés de barro:

Não será  livre a manifestação do próprio pensamento.
Revoguem-se as filosofias em contrário.

 

A Escola de Atenas, Rafael Sanzio (1510) – Palácio Apostólico, Vaticano

 

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