Pergunta do Xandão: Bolsonaro sabia que teria um video seu na convenção ?

O ministro Alexandre de Moraes transformou a penúltima intimação ao ex-presidente Jair Bolsonaro em prova de múltipla escolha.
Nela, a controvérsia sobre o uso de um clone virtual do capitão na convenção que sacramentou a candidatura do filho virou algo muito simples.
Simples como o ABC.
A) Bolsonaro autorizou o uso do vídeo com sua versão IA.
B) Flávio usou o avatar do pai sem o consentimento dele.
C) Onde está o TSE que não toma uma providência?
Didático, Moraes forneceu o gabarito em seu despacho.
Se o vídeo foi autorizado, Bolsonaro violou a ordem judicial de não divulgar manifestações político-eleitorais. E pode voltar para a Papudinha. Se Flávio agiu à revelia do pai, produziu uma “deepfake” — ou uma ultrafalsificação — da imagem do pai.
Nessa hipótese, o candidato afrontou as normas da Justiça Eleitoral. E estaria sujeito à cassação do registro e inelegibilidade por uso indevido dos meios de comunicação e abuso do poder político e econômico. O que conduz o teste para a letra C: Onde está a Justiça Eleitoral?
É como se Moraes cutucasse Nunes Marques com o pé para ver se ele reage.
Presidente do TSE e relator da ação do PT contra o uso do bolsofake, o ministro vai se fingindo de morto. Desperta em Moraes saudades do tempo em que trazia na toga a estrela de xerife do processo eleitoral.
Por Josias de Souza no Uol
