PL tenta virar debate trabalhista contra partidos de esquerda defendendo escala 4 X3

Às vésperas da votação da proposta que extingue a escala 6×1, o Partido Liberal anunciou apoio a um modelo ainda mais favorável ao trabalhador: jornada de quatro dias de trabalho e três de descanso. A movimentação foi interpretada como uma estratégia política para pressionar partidos de esquerda e ampliar o desgaste do governo no debate trabalhista.
O anúncio foi feito pelo líder da sigla na Câmara, Sóstenes Cavalcante, após reunião da bancada. Segundo ele, o partido apoiará um destaque retomando o texto original apresentado por Erika Hilton, que prevê jornada semanal de 36 horas no modelo 4×3.
A proposta relatada por Leo Prates estabelecia uma versão mais moderada: cinco dias de trabalho, dois de descanso e carga semanal de 40 horas.
O próprio PL admitiu o caráter político da movimentação. “Agora queremos ver: quem diz defender o trabalhador terá a oportunidade de provar no voto”, afirmou Sóstenes, indicando que a estratégia busca forçar partidos de esquerda a apoiar uma jornada ainda mais reduzida.
Erika Hilton reagiu dizendo que o apoio do PL representa uma tentativa de atrasar a votação já negociada anteriormente. Segundo a deputada, a mudança de posição da legenda ocorre em meio à disputa narrativa sobre quem realmente defende pautas trabalhistas no Congresso.
A comissão especial da Câmara deve votar o texto nesta quarta-feira (27).
