Prestigiada por metade dos deputados, mensagem da governadora aposta na comparação com 2019 e defesa do legado

A leitura da mensagem anual da governadora Fátima Bezerra (PT) na Assembleia Legislativa ocorreu em um cenário de presença reduzida do Parlamento, mas com sinais claros de articulação política do Executivo.
Doze deputados estaduais acompanharam o pronunciamento: Hermano Morais, Vivaldo Costa, Divaneide Basílio, Francisco do PT, Dr. Bernardo, Taveira Júnior, Ivanilson Oliveira, Terezinha Maia, Eudiane Macedo, Ubaldo Fernandes, Nelter Queiroz e o presidente da Casa, Ezequiel Ferreira.
Parênteses para afirmar que esse não seria exatamente o número de eleitores pró-governo numa eventual eleição indireta em abril próximo.
O vice-governador Walter Alves (MDB) não compareceu à sessão, mas o governo fez questão de marcar presença política com seus três indicados no primeiro escalão. Além da presença robusta dos secretários e assessores.
Com discurso de quase uma hora, Fátima Bezerra adotou um tom fortemente comparativo, sustentando que o Rio Grande do Norte de hoje é “muito melhor” do que o Estado encontrado no início de sua gestão, em 2019.
A governadora elencou avanços nas áreas da saúde, segurança pública, recuperação da malha viária e recursos hídricos como pilares dessa mudança de cenário.
Na infraestrutura, destacou o que classificou como o maior programa de recuperação de estradas da história do Estado. Segundo a governadora, até o fim do governo serão 2.100 quilômetros de rodovias restauradas. O tema dialoga com uma das maiores demandas da população e também com cobranças recorrentes da classe política do interior.
Fátima também ressaltou duas prioridades consideradas “absolutas” no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal: a duplicação da BR-304 e a conclusão da transposição do Rio São Francisco para o Rio Grande do Norte. Ao mencionar a obra hídrica, lembrou que o projeto atravessa seis décadas de promessas. “Isso não é mais sonho, é realidade”, afirmou.
Em um momento mais político do discurso, a governadora recorreu à própria trajetória para reforçar a narrativa de enfrentamento e resiliência. Citou decisões eleitorais arriscadas, como a troca de mandatos — de deputada estadual para federal e, depois, para o Senado — como exemplos de uma carreira marcada pela disposição ao desafio.
“Tenho mãos limpas e uma história pautada pela ética”.
Ao encerrar, Fátima Bezerra foi enfática ao rebater críticas e discursos oposicionistas. “O Rio Grande do Norte está muito melhor do que estava. E isso aqui não é discurso vazio”, declarou, apostando na defesa do legado administrativo como principal ativo político de seu governo no atual ciclo.
