PT no ataque: quando a pré-campanha esquenta e vale quase tudo

Por Thiago Medeiros – sociólogo
O dado mais interessante da semana não é o ataque em si. É o motivo dele existir.
Com Flávio Bolsonaro aparecendo competitivo nas pesquisas, o Partido dos Trabalhadores decidiu investir cerca de R$ 378 mil em impulsionamento digital com peças negativas. Isso não é apenas comunicação. É sinal político.
Durante meses, o entorno de Luiz Inácio Lula da Silva operou com a hipótese de que programas sociais e memória eleitoral seriam suficientes para sustentar vantagem. Mas pesquisas recentes sugerem algo diferente: parte do eleitorado jovem não tem vínculo emocional com o lulismo — tem apenas contato narrativo com ele.
E narrativa se disputa.
Os vídeos que associam Flávio ao Banco Master, combustíveis, relações internacionais e até ao risco sobre o Pix mostram que o PT saiu da posição confortável de escolher adversário e passou a tentar desconstruí-lo rapidamente.
Isso tem nome: guerra de rejeição.
Na polarização de alta intensidade, vence quem cresce menos ou quem impede o outro de crescer. O investimento digital indica exatamente isso: a disputa agora é pelos indecisos, especialmente jovens que ainda não formaram identidade política consolidada.
Claro, há risco jurídico. O Tribunal Superior Eleitoral restringe impulsionamento negativo na pré-campanha. Mas quando uma campanha assume esse risco, normalmente é porque avaliou que o cenário mudou.
A eleição continua polarizada.
Mas deixou de ser confortável.
E quando isso acontece, a comunicação vira trincheira.
