12 de fevereiro de 2026
Nota

Ricardo Lewandowski confirma criação do Ministério da Segurança separado da Justiça

Antes contrário à ideia, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, hoje vê com bons olhos a divisão da sua pasta em duas, para a criação do Ministério da Segurança Pública. Ele, no entanto, faz coro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e diz que para isso é preciso aprovar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do tema e tramita no Congresso.

Para o ministro, as alterações feitas pelo relator da PEC na Câmara, deputado Mendonça Filho (União-PE), vão na “contramão” da proposta apresentada pelo Executivo, ao descentralizar o combate ao crime organizado.

Já em relação às mudanças feitas pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) no projeto de lei (PL) antifacção não há reparos e o governo vai trabalhar para que o texto seja aprovado pelos deputados.

Lewandowski exaltou ainda o modelo adotado na Operação Carbono Oculto, que revelou a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis. Para ele, trata-se de uma “operação paradigmática”, que traduz o espírito da PEC da segurança, já que forças policiais de diferentes entes trabalharam em conjunto.

A comparação com a megaoperação no Rio, que deixou 122 mortos, é citada para ressaltar a diferença entre os modelos de atuação. “Na Carbono Oculto não foi disparado um tiro. Ninguém morreu, ninguém ficou ferido.”

Valor: Lula disse que quer criar o Ministério da Segurança Pública. Isso vai acontecer já em 2026?

Ricardo Lewandowski: Não houve uma decisão tomada. O presidente mesmo já disse várias vezes que só vai propor a criação do ministério, que aliás foi uma promessa de campanha dele, se a PEC for aprovada. Ou mais do que isso, se ficar definido com clareza qual é o papel da União no combate à criminalidade. Se não houver clareza e não houver um aporte substancial de recursos novos, porque o combate à criminalidade precisa de recursos, nós simplesmente teremos mais do mesmo.

Valor: O senhor já foi contra essa divisão. O que pensa hoje?
Lewandowski: Eu concordo com o presidente que essa divisão faria sentido, primeiro, se houvesse uma ampliação do papel da União no combate à criminalidade. Em segundo lugar, se viessem verbas substanciais, porque hoje nós temos no nosso Fundo Nacional de Segurança Pública a verba irrisória de R$ 2 bilhões.

Valor: O governo tem estimativa do orçamento necessário?
Lewandowski: Não. Só para ter uma ideia, o Estado da Bahia tem R$ 8 bilhões para segurança.

Valor: Se for criado um novo ministério, o senhor vai ser ministro da Justiça ou da Segurança Pública?
Lewandowski: Eu vou ser ministro dos meus netos [risadas]. Mas o futuro a Deus pertence. Eu acho que prestei um serviço importante à sociedade, ao governo, nesses praticamente dois anos. Agora, o meu cargo pertence ao presidente da República.

DO TL 

A sinalização do ministro aponta também o peso dessa pauta nas eleições de 2026. Não por acaso é hoje o tema de maior preocupação do brasileiro; de norte a sul do país.

Mas como bem disse o ministro não basta ter a pasta, tem que ter verbas e condições para fazer um bom trabalho com os estados.

 

Fonte; Valor

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *