Sindicato do Crime assume a condição de dono do RN

A sigla do Sindicato do Crime, desenhada na areia do Morro do Careca na semana passada, expôs no principal cartão-postal de Natal uma realidade que as autoridades potiguares já observam há anos: a expansão gradual da maior facção do Rio Grande do Norte pelas comunidades da capital e do interior. O episódio ganhou tamanha repercussão que virou página na Folha de S.Paulo — um dos maiores jornais do país —, recebendo do veículo nacional um destaque superior ao dado pela imprensa local.
A engrenagem por trás desse avanço foi detalhada este mês pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), em uma denúncia à Justiça contra 25 integrantes da organização criminosa.
O documento descreve uma estrutura complexa voltada ao controle territorial, à disciplina interna rígida, à lavagem de dinheiro e à articulação com grupos de outros estados, em uma estratégia que espelha o modus operandi das maiores organizações criminosas do Brasil.
O Sindicato do Crime nasceu em 2013, fruto de uma dissidência do Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro do sistema prisional potiguar. Sob a bandeira da “autonomia local”, a facção ganhou força rapidamente ao disputar o controle das cadeias e, mais tarde, dos territórios urbanos. O grupo ganhou projeção nacional em dois momentos críticos: o massacre na Penitenciária de Alcaçuz, em 2017, e a série de ataques coordenados contra ônibus, prédios públicos e bases policiais que paralisou o estado em 2023.
A denúncia atual é o desdobramento da Operação Treme Tudo, deflagrada em dezembro do ano passado com alvos no Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas e Rondônia. Agora, os 25 acusados respondem por crimes como organização criminosa armada, associação para o tráfico, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro.
