24 de janeiro de 2026
Memória

VISITA ANUNCIADA

A Noite estrelada (1889) – Vincent van Gogh – MoMa, Museu de Arte Moderna de Nova Iorque


Relatos de avistamentos de naves fora dos padrões aeronáuticos terrestres têm sido mais frequentes.

Sempre vindos dos Andes ou de outro misterioso lugar propício para introspecção e viagens interiores.

Se eram ou são os deuses astronautas, permanece a incerteza.

Relatórios secretos dos órgãos de segurança são divulgados com delays de décadas.

Confissões e testemunhos às vésperas da última viagem, reveladas.

A dúvida não cala.

A humanidade sempre acreditou que os problemas do planeta seriam resolvidos com intervenções externas.

Nesta matéria, até que revoguem a lei da gravidade e todos os decretos aerodinâmicos, o que não é fake, não é fato.

A não ser para os já abduzidos que tiveram a ventura de voltar ao vale de lágrimas.

Não são poucos os que procuram vida inteligente além da estratosfera.

Relatos de avistamentos de objetos voadores não identificados e de seus tripulantes são encontrados em toda parte.

Muito antes  do fabuloso vôo que Wilbur e Orville Wright fizeram por inacreditáveis 37 metros.

Contatos sempre com seres diferentes mas ainda parecidos.

Humanóides.

O que leva à conclusão que o modelo é bom.

Os defeitos surgiram com o uso inadequado, para outros fins, não previsto pelos fabricantes no projeto inicial.

A imaginação voa à velocidade da luz.

A ficção se encarrega do resto e de levar para telonas e telinhas, episódios edificantes, sombrios, devastadores, atemorizantes, poéticos. Do bem e do mal.

Todas, histórias fascinantes.

A mais famosa conta que em 1947,  em Roswell, uma cidadezinha perdida no deserto do Novo México, uma nave alienígena teria caído no areal.

Mortos, sobreviventes e os restos da fuselagem foram recolhidos por militares.

O caso foi inscrito  no livro dos grandes  mistérios. Evidências escondidas em bases secretas e arquivos subterrâneos.

Há 45 anos, na pequena Casimiro de Abreu a 140 kms do Rio de Janeiro, um senhor de aparência comum, vindo não se sabe de onde, com sotaque nordestino, anunciou a chegada próxima, de uma nave de jupiterianos que fariam os primeiros contatos com os terráqueos e suas autoridades.

O local previamente marcado, como se os visitantes dispusessem de GPS (que ainda não havia sido inventado em nossa dimensão), em uma fazenda, foi logo cedido, limpo e aplainado.

O prefeito preparou recepção oficial e o presente de boas vindas.

Sem ao menos saber se os hóspedes tinham o hábito da leitura, embrulhou em papel laminado festivo, uma enciclopédia. Inteira.

O adiamento do pouso, atribuído à invasão da área pelos curiosos, gerou frustração e quase acaba em pancadaria.                       

O profeta faleceu poucos meses depois, de complicações do diabetes.

Um nova data para a abortada visita nunca foi marcada.

O mundo não seria transformado a partir do país abençoado pelos deuses da espaçonave e bonito por natureza interestelar.

Maltratado, descuidado, superpovoado, cheio de conflitos e problemas no sistema de arrefecimento,  em trajetória errante e destino ignorado, o planetinha ainda desperta interesse nos outros mundos mais evoluídos.

 

Estrada com ciprestes e estrelas (1890) – Vincent van Gogh – Museu Kröller-Müller, Otterlo, Países Baixos

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