16 de abril de 2026
NotaOpinião

Vitórias de cristão-novo não garantem conquistas

Jean Paul Terra Prates (Rio de Janeiro, 19 de junho de 1968) é um advogado, economista, ambientalista, empresário e político brasileiro, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT). Foi senador pelo Rio Grande do Norte de 2019 a 2023, assumindo a vaga deixada por Fátima Bezerra, que se elegera governadora do estado.”

Ao final de quatro anos, ao fazer suas despedidas, recebendo as homenagens de praxe, o Presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), quebrou seu silêncio e afirmou que “a capacidade política e técnica, de compreensão de temas nacionais, diferencia e distingue o senador Jean Paul Prates. Ele citou momentos em que o senador foi “indispensável”, como na relatoria do Marco Legal das Ferrovias (Lei 14.273, de 2021) e nos debates sobre alta dos combustíveis no Brasil:

“.— Eu acompanhei, senador Jean Paul Prates, nesses quatro anos de Vossa Excelência aprofundando em temas da mais alta complexidade. E com a capacidade que tem, que angariou com a experiência na iniciativa privada, trouxe para o Senado Federal de fato aquilo que nós precisávamos, de alguém em quem pudéssemos depositar a soluções técnicas, a resolução de conflitos, de dificuldades e aquilo que no final das contas era o melhor pra sociedade brasileira.”

Numa casa de poucos membros, é normal a louvação e troca de gentilezas entre os pares, mas a palavra do Presidente é um diferencial.

SITUAÇÃO É ESSA

O autor dessas linhas, então com 40 anos de jornalismo diário, procurando se especializar em Rio Grande do Norte e nos seus personagens, nos seus escritos, não encontrou nada a merecer seu registro e, humildemente, recorreu aos dados oficiais na busca de um perfil isento do político que conseguiu, em tão curto espaço, ser escolhido, pelo Presidente da República, com a presidência da maior empresa do Brasil, a Petrobrás.

Como o que foi dito na sua posse: “O novo senador potiguar tem mais de 37 anos de experiência profissional nas áreas de petróleo, gás natural, energia renovável, recursos naturais e afirmou que quer manter a atuação nessas áreas, bem como defender projetos voltados para a educação e desenvolvimento regional.”

Faltou ao repórter a preocupação com o novo personagem que conseguiu lugar de destaque na pouco variada política potiguar voltada para a busca de recursos federais para suprir as necessidades de um dos mais pobres estados da federação. A redundância é justificada: – Prates, desde o primeiro dia, foi um “Senador Federal”, representando o Rio Grande do Norte, na Alta Câmara.

CURRICULUM AJUDA

Na sua biografia consta que cursou Direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Economia na Pontifícia Universidade Católica do Rio. Nos Estados Unidos, tornou-se mestre em Planejamento Estratégico e Gestão Ambiental pela Universidade da Pensilvânia. Na França concluiu mestrado em Economia de Petróleo e Motores pelo Instituto Francês de Petróleo.

Ai o nosso Rio Grande do Norte entrou na sua vida: Iniciou um plano de programa energético para o RN, em 2001, trabalhando voluntariamente numa proposta apresentada ao então governador Garibaldi Alves em 2003, com um estudo de desenvolvimento para o setor energético, incluindo fontes renováveis e a revitalização do setor de petróleo, uma proposta adotada pela Governadora Wilma de Faria, adversária de Garibaldi.

Jean fixou residência no estado em 2005. Transferiu duas de suas três empresas para o RN também. Até 2018, dirigiu duas empresas de consultoria: uma na área de petróleo/gás (RJ), outra nas áreas de energia renovável e meio ambiente (RN). Também presidiu o Sindicato da Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte e o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia que reúne associações nacionais, empresas e fornecedores do setor energético, e sobre quem tem controle absoluto.

VIDA PROFISSIONAL

Até 2018, além disso, dirigiu duas empresas de consultoria: uma na área de petróleo/gás (RJ), outra nas áreas de energia renovável e meio ambiente (RN). Também presidiu o Sindicato da Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte e o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia que reúne associações nacionais, empresas e fornecedores do setor energético.

Entre 2008 e 2020 foi Secretário de Estado de Energia do RN no governo Wilma . A apreciação do desempenho é do próprio Prates: “Durante a gestão, levou o Estado à autossuficiência energética e assegurou mais de 10 bilhões de reais em investimentos para o RN.

À frente da Secretaria de Energia, Jean Paul viabilizou a ampliação e o reconhecimento da Refinaria Clara Camarão e viabilizou a instalação da Termaçu na região do Vale do Açu.”

Como se vê, nada que pudesse de alguma forma vinculá-lo ao Partido dos Trabalhadores, foi identificado onde chegou conquistando um dos postos mais almejados: Suplente de Senador, da governadora Fátima Bezerra.

Em 2020 o PT oficializou a candidatura de Jean à Prefeitura do Natal nas eleições municipais e ele teve 14.38% dos votos, o segundo lugar no pleito.

VITÓRIA E CONQUISTA

Em 2022 Jean Paul foi escolhido pelo presidente Lula para a equipe de transição na pasta de energia. No relatório final, sugeriu a criação de uma diretoria específica para energias renováveis na estrutura organizacional da Petrobrás. Apontado como candidato favorito, Lula indicou-o para presidir a estatal de petróleo a partir de 2023.

E pela primeira vez Jean Paul Prates teve de enfrentar uma oposição sistemática, formada por companheiros de Governo: Rui Costa (Chefe da Casa Civil), Alexandre Silveira (Ministro de |Minas e |Energia) e Aloisio Mercadante (Presidentes do BNDES). Os três com história no Partido dos Trabalhadores, e Prates, um “cristão novo” com uma breve história, aquinhoado com uma das joias mais desejadas da política brasileira, sem preocupação em atender o pessoal da casa.

Vale o registro de que, Presidente da Petrobrás tem uma oposição organizada e eficiente, e Prates não conta nem mesmo com um único correligionário do seu estado que tenha assumido sua defesa. Sob fogo intenso, não se ouviu uma voz em sua defesa, nem de correligionário ou mesmo de um conterrâneo. E, se não se segurar no cago não terá uma denúncia comprovada, como aconteceu nos dois primeiros Governo Lula.

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